Ondas de calor marinhas impactaram ecossistemas nos oceanos, diz artigo na Nature
Artigo publicado na revista Nature em novembro de 2024 aponta que “as ondas de calor marinhas impactaram profundamente os ecossistemas marinhos em grandes áreas dos oceanos no mundo”, o que exige “uma compreensão aprimorada de suas dinâmicas e previsibilidade”.
O artigo tem como coautora a pesquisadora brasileira Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro da rede de pesquisadores INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas). O trabalho científico foi conduzido pela pesquisadora Antonieta Capotondi, da University of Colorado Boulder, EUA, com a colaboração de 19 cientistas de vários países.
Os autores revisaram criticamente os recentes avanços substanciais na área de pesquisa, incluindo a exploração da estrutura tridimensional e evolução desses extremos, seus impulsionadores, a conexão com outros extremos no oceano e na terra, projeções futuras, a previsibilidade e a capacidade de previsão atual.
No Oceano Índico, as ondas de calor marinhas modulam os ventos e chuvas das monções sobre o subcontinente indiano, impactando a segurança hídrica e alimentar na região. Também interagem e intensificam os ciclones tropicais, tornando-os mais destrutivos. Seus impactos biológicos incluem eventos de mortalidade em massa em invertebrados, peixes, aves e mamíferos marinhos, branqueamento de corais, declínios nas espécies de fundação e reestruturação de todo o ecossistema, com impactos socioeconômicos de longo alcance.
As ondas de calor marinhas também resultam em impacto em terra firme. Estão impactando negativamente a ecologia e as comunidades locais em áreas costeiras mais localizadas, mares marginais e fiordes. Essas ondas estão associadas a outras condições extremas, como alta acidez ou baixo oxigênio, elevação do nível do mar, inundações, secas, eventos climáticos severos ou mesmo ondas de calor terrestres sobre a terra adjacente. Esses “eventos compostos” atuam como múltiplos estressores para a vida marinha e as sociedades.
Segundo o estudo, para melhor prever e projetar as ondas de calor marinhas e seus impactos, é necessária uma compreensão mecanicista mais completa desses extremos em toda a profundidade do oceano nas escalas espacial e temporal, junto com modelos que possam captar de forma realista os principais mecanismos nessas escalas.
“Sistemas de observação sustentados, bem como plataformas de medição que possam ser implantadas rapidamente, são essenciais para obter caracterizações abrangentes de eventos, que também demonstrem a natureza de constante evolução desses extremos e seus impactos em nosso clima em mudança”, afirmam os pesquisadores.
Link para o artigo completo em
https://www.nature.com/articles/s43247-024-01806-9

Regina Rodrigues
Pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro da rede de pesquisadores INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas).