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Brasil vai sediar ‘Copa do Mundo do Oceano’ em 2027, diz diretor do INPO

destaque-4 Rio de Janeiro será sede da 3ª Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável
01 DE JULHO, 2025
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Conferência da Década da Ciência Oceânica reunirá mais de 2 mil especialistas no Rio para debater soluções sustentáveis e fortalecer a presença global do Brasil 

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar a 3ª Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, em 2027. A escolha foi anunciada na última sexta-feira (27), durante a Assembleia da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO. Para o Diretor-Geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Segen Estefen, a Conferência terá um grande impacto para a comunidade científica e sociedade civil brasileira.

“Acolher essa Conferência é como sediar uma Copa do Mundo. Receber um evento desse porte significa que o assunto vai permear a nossa sociedade, todos vão ficar informados. Isso gera uma repercussão muito grande, que vai acionar vários gatilhos, como o da própria cultura oceânica. Nossa juventude vai conseguir entender melhor o que está se passando quando se fala em preservação e uso sustentável do oceano”, diz Estefen.

A proposta de sediar o evento foi apresentada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – ao qual o INPO está vinculado – com apoio do Ministério das Relações Exteriores. O evento vai ser co-organizado pela COI e pela prefeitura do Rio de Janeiro. Segen Estefen afirma que o INPO tem muito a contribuir para a organização da conferência.

“O planejamento desse evento de grande porte é de extrema importância. São esperadas cerca de 2 mil pessoas. É claro que isso será feito pela COI, mas ela vai precisar do apoio local e um dos papéis do INPO é contribuir com esse apoio, para que a gente tenha um evento bem planejado, com os tópicos bem elencados e com convidados aptos a gerar contribuições e recomendações que resultem em políticas públicas”, explica o Diretor-Geral.

Liderado pelo MCTI, o Brasil foi o primeiro país a estabelecer um comitê nacional dedicado à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, para coordenar ações e contribuições nacionais. Além disso, o país tem encabeçado iniciativas como a implementação do Currículo Azul nas escolas, evidenciando o engajamento brasileiro com a produção de Ciência Oceânica e formulação de políticas públicas voltadas para o ambiente marinho.

Para o Diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, a próxima conferência vai acontecer em um momento decisivo, próximo ao fim da Década da Ciência Oceânica (2021-2030). Polejack explica que será necessário fazer um balanço da propostas que foram executadas e que é importante que o evento seja sediado no Brasil.

“É a primeira vez que vai acontecer algo desse tipo no Hemisfério do Sul. E o Brasil como um protagonista, com muitas ações durante essa Década, tem o potencial de organizar um grande evento. Vão ter muitos cientistas brasileiros palestrando e isso é importante para que saibam o que estamos fazendo por aqui e as parcerias externas que podemos fechar. A gente espera que esse evento seja um sucesso”, diz o diretor.

A Diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, elogiou o MCTI pela iniciativa de propor trazer o evento para o Brasil e enfatizou a importância de uma conferência sobre a Década do Oceano no Rio de Janeiro e, especificamente, na região do Atlântico Sul.

“Não devemos perder de vista que o Atlântico Sul continua sendo uma região pouco privilegiada de ações e articulações, se comparada com outras regiões do planeta. Por exemplo, a Década tem vários centros de colaboração, que são os chamados Decade Collaborative Centers (DCC), mas nenhum deles que incorpore ações na região do Atlântico Sul. O que nos faz crer que o INPO possa ter um papel relevante nessa construção e que a gente possa chegar em 2027 com resultados bons e concretos, de nossa parte.”

No comunicado oficial divulgado pela Unesco para a escolha do Brasil, o Secretário-Executivo da IOC-Unesco, Vidar Helgesen destacou o envolvimento do país com o tema. 

“O Brasil, uma nação onde o oceano está profundamente enraizado em sua identidade, tem sido uma força motriz em cada etapa da implementação da Década do Oceano, estabelecendo uma referência global para que outros países sigam”, ressaltou Helgesen. Segundo o Secretário-Executivo, o Brasil lidera mais de 30 Ações da Década, que vão desde a promoção da igualdade de gênero e restauração de manguezais até a reutilização de redes fantasmas e o enfrentamento de microplásticos e toxinas marinhas.

Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável

A Década da Ciência Oceânica (2021 – 2030) foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU, em 2017, e prevê a realização de conferências a cada três anos. A primeira foi organizada pela Alemanha, em 2021, de forma virtual e a segunda foi em 2024, na Espanha.

A organização do evento vai ao encontro do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14 da Agenda 2030 da ONU – Vida na Água – que propõe a “conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”, segundo as Nações Unidas. A conferência tem a finalidade de reunir cientistas, formuladores de políticas públicas, sociedade civil e setor privado com o objetivo de gerar soluções para um oceano mais saudável e sustentável.

Com o evento programado para se realizar três anos antes do término da Década da Ciência Oceânica, Janice Trotte-Duhá diz que o momento é de intensificar ações, refletir o que nós fomos capazes de fazer e, sobretudo, prever novos caminhos para o futuro da gestão dos oceanos.

“Eu acho que o Brasil, em algumas coisas, contribuiu muito para a Década, como, por exemplo, as atividades afetas ao Planejamento Espacial Marinho (PEM), em que estamos à frente de muitos países. Entretanto, em outras áreas, não conseguimos alcançar metas pretendidas, como, por exemplo, a prevenção da poluição marinha, especialmente, por plásticos. Então, algumas coisas a gente realmente vai fechar 2030 sem ter chegado lá. Mas é importante ver que o Brasil assumiu grande protagonismo na questão dos oceanos, se considerarmos que tivemos atuação destacada no âmbito do G20, em 2024, com o Oceans20; rumamos para dar maior protagonismo aos oceanos em 2025, por ocasião da COP-30; e fecharemos com a Conferência da Década do Oceano, em 2027. Melhor ainda, com o INPO presente em todas essas importantes discussões!”