Ovelhas-folha que moram no mar se alimentam de algas e de sol
Um ser marinho, que à primeira vista parece uma ovelha, vem causando sensação nas redes sociais. Trata-se de uma lesma-do-mar denominada Costasiella kuroshimae, que habita regiões do oriente e cujo corpo tem a aparência de uma minúscula suculenta. Como vive também de fotossíntese, precisa da luz solar para sobreviver e é encontrada entre nove e 18 metros de profundidade. Mas o que os vídeos que povoam as redes sociais não mencionam é que o Brasil também tem sua ovelha-folha, da espécie Costasiella ocellifera.
“Ela está em regiões tropicais e subtropicais do Oceano Atlântico. São comuns no Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe) e Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo) brasileiro”, afirma o professor do departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da rede de pesquisadores do INPO, Renato Crespo Pereira.

A Costasiella ocellifera vive em associação com as espécies da macroalga verde marinha Avrainvillea e praticamente só se alimenta delas. O que dificulta a sua localização é o tamanho, já que o molusco varia de 0,5 a 1,3 cm.
Alimentação
A Costasiella kuroshimae foi avistada pela primeira vez em 1993, na ilha japonesa de Kuroshima. Desde então, tem sido encontrada também em locais como Singapura, Tailândia, Indonésia, Malásia e Filipinas, apesar de seu tamanho dificultar a localização, já que tem cerca de dez milímetros.
Para além do seu aspecto, a característica mais curiosa destes moluscos é a maneira como aproveitam ao máximo as algas que ingerem no fundo do oceano, com as quais mantêm uma relação simbiótica muito particular. Durante o processo, os cloroplastos – organelas presentes nas algas e plantas, responsáveis pela fotossíntese – não são digeridos, mas reservados no seu interior, continuando a cumprir sua função. Isso significa que estes moluscos podem escolher o tipo de alimentação. “Se houver escassez das macroalgas das quais estas lesmas comumente se alimentam, elas podem mudar deste tipo de alimentação ativa (herbivoria) para se nutrir de produtos advindos da fotossíntese”, explica Crespo.

Os cloroplastos são também responsáveis pela coloração verde desse pequeno e delicado ser marinho. O aspecto funciona também como uma camuflagem em meio às algas do gênero Avrainvillea, onde vivem e realizam a desova. Segundo o pesquisador, esta peculiar forma de alimentação não é uma exclusividade da ovelha-folha, mas parece mais comum a algumas espécies de lesmas-do-mar.