Escola de Verão no INPO reúne pesquisadores em início de carreira de 12 países
Iniciativa aborda modelagem numérica e análise de dados para estudos de resiliência costeira
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) deu início, nesta segunda-feira (8), à Escola de Verão. Ao longo desta semana, 27 pesquisadores em início de carreira (15 presenciais e 12 online), de doze países diferentes, vão participar de aulas e debates sobre fundamentos de modelagem numérica e análise de dados aplicados a estudos de resiliência costeira. O curso é uma iniciativa da All-Atlantic Ocean Research and Innovation Alliance (AAORIA), coordenada pelo projeto Okeano, da União Europeia, e implementada pelo INPO, CNPq e com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da UFRJ.
“Estamos disseminando conhecimento em uma área extremamente importante para as mudanças climáticas: a resiliência costeira. Nós sabemos que o grande efeito dessas mudanças vai se dar nessa interação continente-oceano. Este é o ponto que está sendo explorado no curso, os métodos numéricos para fazer as simulações, que ajudam tanto na previsão quanto na prevenção de acidentes nestas áreas”, afirmou o diretor-geral do INPO, Segen Estefen.

Durante os cinco dias de curso, os estudantes terão aulas teóricas e práticas com professores brasileiros e estrangeiros, uma equipe multidisciplinar referência na área de resiliência costeira. No primeiro dia, os professores e oceanógrafos Luiz Paulo Assad e Lívia Sancho, do Lamce, ministraram aulas sobre modelagem numérica, ferramenta essencial para o estudo da resiliência costeira. Na quarta-feira (10), os pesquisadores vão trazer exemplos e mostrar análise com assimilação de dados.

Entre os destaques da programação está a participação da pesquisadora italiana Nadia Pinardi, da Universidade de Bolonha. Diretora do UN Decade Collaborative Center for Coastal Resilience, que busca aumentar a resiliência das comunidades costeiras, Pinardi e sua equipe compartilharão sua experiência com a turma nesta terça-feira (9).
“A gente acredita que esta transdisciplinaridade, não só em termos geográficos, mas também em áreas do conhecimento, é o que vai compor esse grande mosaico que nos permitirá enfrentar as mudanças climáticas”, afirma a Diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá.
Os organizadores da Escola de Verão selecionaram 15 dos 50 jovens pesquisadores inscritos para as aulas presenciais. São pesquisadores que atuam em várias áreas, egressos de países como Marrocos, Gana, Espanha, Itália, Argentina, Bélgica, Bahamas, Camarões, Índia, Quênia, Colômbia e Brasil.
“A nossa proposta aqui, com diferentes stakeholders, é que todos se unam em favor da ciência. Esse treinamento tem uma programação muito rica, com professores referência na área. Esperamos que, no último dia, estejam todos se sentindo com valor agregado”, afirma Dileine Cunha, coordenadora de negociações internacionais do CNPq.
Entre os jovens pesquisadores que circulam pelo INPO, o clima é de empolgação e troca de conhecimento. É o caso da cientista ambiental Beatriz Fernandes, mestranda da Unifesp. “É uma troca muito rica, até entre os participantes. Cada um tem linhas de pesquisa em diferentes áreas”, comemora. Doutora em biotecnologia, Hajar Idmoussi, do Marrocos, aproveita o curso para desenvolver o seu projeto de pós-doutorado. “É a primeira vez que venho ao Brasil. Minha pesquisa é sobre biodiversidade. Biologia sem modelos numéricos é insuficiente. Você precisa desse conhecimento para incrementar os estudos”, defende.