INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

COP30: MCTI lança livro com contribuições da ciência sobre as mudanças climáticas no Brasil

10 DE NOVEMBRO, 2025
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Um dos destaques é o capítulo Oceano e Zona Costeiras, que aborda a importância do oceano no enfrentamento à emergência climática, assinado por cientistas, a maioria da Rede INPO 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, na COP30, dia 11 de novembro, o livro “Mudanças Climáticas no Brasil: Estado da Arte e Fronteiras do Conhecimento”. A obra reúne contribuições da ciência brasileira, proporcionando um panorama sobre os efeitos das mudanças climáticas, e contribuições para a mitigação e adaptação que leve à redução dos seus impactos. Os professoresSegen Estefen, diretor-geral do Instituto de Pesquisas Oceânicas (INPO) e Moacyr Araújo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),foram os organizadores do capítulo “Oceano e Zonas Costeiras”, um dos temas em destaque na obra. A versão digital da publicação está disponível aqui.

O oceano é o regulador climático da Terra. Cobre mais de 70% do nosso planeta, produz 50% do oxigênio, e absorve 30% do CO2 da atmosfera, um dos principais vilões do aquecimento global. A ciência brasileira tem dado uma grande contribuição para a investigação desse ecossistema único e tão fundamental para o nosso planeta. No entanto, ainda temos muito a descobrir sobre ele. Ao ler o capítulo de 84 páginas, assinado por 19 cientistas que são referência em suas áreas de conhecimento, os leitores terão a oportunidade de conhecer a diversidade, complexidade, limites e desafios dessa imensidão azul. Generosamente, esses especialistas compartilham com a sociedade o resultado de suas pesquisas em 12 temas prementes:  Clima e Oceano; Vulnerabilidade e Resiliência Costeira e Oceânica; Acidificação do Oceano; Biodiversidade; Recifes de Corais; Pesca e Aquicultura; Observação Oceânica e Costeira; Transição Energética; Saúde e Oceano; Justiça Climática e Comunidades Costeiras Tradicionais; e Cultura Oceânica, Governança Oceânica.

Os limites do oceano e desafios diante do aquecimento global 

“O oceano é o nosso grande aliado no enfrentamento às mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. Mas esse aliado está chegando ao limite de sua capacidade de suportar o contínuo aumento de calor e de absorver o excesso de carbono da atmosfera”, resumem os organizadores do capítulo Segen Estefen e Moacyr Cunha de Araujo Filho. Além deles, outros 17 cientistas abordam temas que colocam o oceano no centro das discussões sobre a preservação do planeta.

Os textos traçam um panorama dos impactos sentidos pelo oceano em decorrência das mudanças climáticas e que geram efeitos como o aumento da ocorrência de furacões, inundações e erosões costeiras. Apresenta também soluções para o controle dos efeitos da crise climática, como os avanços das pesquisas em energias renováveis no oceano, que colaboram para a redução das emissões de gases de efeito estufa. 

Estefen – que também é professor da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – fala sobre as energias renováveis no oceano e defende a transição energética como fator essencial para a redução de gases de efeito estufa. “Com uma vasta costa e condições favoráveis para a exploração de energia eólica offshore, ondas, marés e gradientes térmicos, o país pode não apenas atender às suas demandas internas, mas também deve contribuir com a comunidade internacional”, afirma o diretor-geral do INPO.

A pesquisadora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revela a importância do oceano para a regulação do clima do planeta, pois absorve o excesso de calor gerado na atmosfera e 30% das emissões de dióxido de carbono. Já Beatrice Padovani, da UFPE, mostra a importância de ecossistemas marinhos, como os recifes de corais. “Embora ocupem apenas 0,1% do fundo oceânico, estimativas indicam que os recifes abrigam cerca de 25% a 30% de todas as espécies marinhas conhecidas”, reforça.

As considerações de Moacyr Cunha de Araujo Filho (UFPE) e Letícia Cotrim da Cunha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), demonstram os efeitos graves e permanentes das mudanças climáticas no oceano. A mudança de temperatura ocasiona, entre outras questões, a acidificação e a redução do oxigênio presente nas águas, impactando negativamente a vida marinha. “Estamos perdendo progressivamente um importante aliado na luta pela redução do carbono atmosférico”, defende Araujo Filho. O pesquisador enfatiza, ainda, que o nível do oceano está subindo cada vez mais rapidamente, devido ao aquecimento da água e ao derretimento das camadas de gelo. 

Participam ainda do capítulo os pesquisadores Margareth S. Copertino, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e da Rede Clima; Flávia Lucena Frédou, Ronaldo Olivera Cavalli e Carlos Alberto Eiras Garcia, da FURG; Carla de Freitas Campos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Wim Degrave, Alexander Turra, José Luiz Moutinho, Wânia Duleba e Milena Maltese Zuffo, da Universidade de São Paulo (USP); Paulo Gadelha, da Fundação OceanQuest; Leandra Regina Gonçalves e Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Andrei Polejack, diretor de Pesquisa e Inovação do INPO. 

O capítulo ‘Oceano e Zonas Costeiras’ contou com a contribuição das jornalistas Dominique Ribeiro e Terezinha Costa, responsáveis pela edição executiva e edição de texto.

Baixe o PDF do livro aqui.