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Mesa de abertura do Pavilhão Virtual da COP30 destaca papel do oceano na adaptação climática global

10 DE NOVEMBRO, 2025
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Diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, representou o Brasil na apresentação

A mesa-redonda de abertura do Pavilhão Virtual da COP30 reuniu, nesta segunda-feira (10), especialistas de diversas instituições internacionais para discutir o papel do oceano e ecossistemas costeiros na agenda climática. Com o tema “COP30 is being held in the Amazon, but the ocean is equally vital to our climate future”, o encontro marcou o início das atividades na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), e reuniu 14 representantes de organismos internacionais, entre eles, o diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Andrei Polejack.

Polejack representou o Brasil, país-sede da conferência, com a apresentação Aproveitando os recursos alimentares sustentáveis do oceano. “Realizar esta COP em Belém, no coração da Amazônia, é profundamente simbólico. É um lembrete de como os sistemas terrestres, de água doce e oceânicos estão interligados e moldam nossa resiliência”, afirmou.

O pesquisador destacou o papel do INPO como uma organização que conecta ciência, política e sociedade, reunindo mais de 1.400 cientistas em todo o país. Ele ressaltou, ainda, a importância de integrar ciência à sociedade e seus saberes tradicionais, na construção de sistemas alimentares sustentáveis, por meio da ligação entre comunidades locais e instituições de pesquisa.

“Sistemas alimentares sustentáveis só podem emergir quando ciência e conhecimento tradicional trabalham lado a lado. Isso permite produzir soluções baseadas em evidências e relevantes para as realidades locais”, explicou.

O diretor também defendeu o fortalecimento da cooperação regional e o conceito de mutirão como símbolo da ação coletiva necessária para uma economia azul inclusiva. “O lema desta COP é a palavra indígena ‘mutirão’, que significa trabalhar juntos de forma eficiente para o bem da comunidade. Em toda a América Latina, nossas costas e histórias estão interligadas. Compartilhar dados, experiências e inovações pode nos ajudar a construir uma economia azul sustentável e inclusiva”, concluiu.

Papel do oceano para o equilíbrio climático

Moderada pela diretora do conselho do Fórum Global dos Oceanos, Marea Hatziolos, a mesa trouxe como reflexão a ideia de que, apesar de a Amazônia ser um dos maiores sumidouros de carbono do planeta, o oceano desempenha papel igualmente essencial para o equilíbrio climático e o alcance das metas do Acordo de Paris. Os palestrantes ressaltaram que proteger e gerir de forma sustentável ecossistemas marinhos e costeiros é fundamental para limitar o aquecimento global a 1,5°C, proteger a biodiversidade, fortalecer comunidades e construir resiliência climática.

A programação do painel esteve alinhada às prioridades da Conferência: fortalecer o multilateralismo, conectar o regime climático à vida cotidiana da população e acelerar a implementação de soluções climáticas. Participaram da mesa de abertura Adam McCarthy, primeiro secretário-adjunto do Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália e copresidente da Comissão Preparatória do Acordo BBNJ (também conhecido como “Tratado do Alto-Mar”), que falou sobre a proteção do alto-mar e o multilateralismo; Susan Gardner, diretora da Divisão de Ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que abordou o tema da proteção e restauração dos ecossistemas costeiros; e Lisa Levin, professora emérita, vinculada à Scripps Institution of Oceanography, que tratou das cooperações necessárias da superfície às profundezas do oceano.

Também foram abordados temas como proteção de ecossistemas costeiros, governança dos altos mares, energias renováveis marinhas e cooperação científica internacional.