Diretora Janice Trotte-Duhá participa de discussão sobre papel da ciência na construção de estratégias de adaptação costeira
Atividade ocorreu na COP30 e reuniu especialistas internacionais e representantes de instituições científicas
Na COP30, em Belém (PA), o Pavilhão da Itália abriu espaço para uma discussão inspiradora: a sessão “Empoderando Comunidades Costeiras: soluções baseadas na ciência para resiliência e adaptação”, organizada pelo Centro Colaborativo da Década para a Resiliência Costeira (DCC-CR), liderado pela oceanógrafa Nadia Pinardi. O encontro reuniu especialistas internacionais e representantes de instituições científicas, como a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, para discutir como a ciência pode – e deve – caminhar de mãos dadas com o conhecimento local e tradicional na construção de estratégias de adaptação costeira.
Mais de 40% da população mundial vive próxima à costa. A elevação do nível do mar, o aquecimento dos oceanos e os eventos extremos já não são ameaças futuras – já são tragédias presentes. As populações vulneráveis, apesar de serem as que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, são as mais afetadas. A sessão ressaltou o papel vital das comunidades costeiras na busca por soluções integradas frente aos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas.
Os palestrantes refletiram sobre uma questão central: como desenhar estratégias de resiliência e adaptação que incluam efetivamente grupos costeiros marginalizados, como mulheres, jovens, povos indígenas e pescadores artesanais, garantindo a integração genuína do conhecimento local no planejamento científico? “Cultura importa tanto quanto ciência e tecnologia quando falamos em adaptação costeira. As práticas mais eficazes de adaptação muitas vezes nascem da ação comunitária, e o papel da ciência é validá-las e fortalecê-las”, afirmou Janice Trotte-Duhá, representante do INPO, durante sua intervenção.

Entre os temas do debate, destacou-se a importância de criar sistemas de alerta precoce multirriscos, soluções baseadas na natureza e mecanismos de coleta de dados locais que incorporem indicadores não apenas ambientais, mas também sociais, culturais e de governança. Os especialistas enfatizaram a necessidade de considerar as dinâmicas sociais e os sistemas locais de poder. A proposta é tratar a inclusão como um processo contínuo de governança, que deve ser financiado, institucionalizado e conduzido em copropriedade com as comunidades.
Outro ponto forte da discussão foi o papel das mulheres nas estratégias de adaptação. “As mudanças climáticas impactam desproporcionalmente as mulheres, especialmente nas comunidades tradicionais. No entanto, elas são líderes naturais na busca por soluções locais”, observou Janice. “Promover a participação feminina é uma questão de justiça social e de eficácia climática”, complementou a diretora.
A sessão evidenciou que resiliência costeira não é apenas uma meta ambiental, mas um compromisso social e ético. Ao integrar o conhecimento científico com saberes locais, e ao valorizar a diversidade cultural e de gênero, a comunidade internacional dá passos concretos rumo a uma adaptação justa e inclusiva.
Além da diretora do INPO, as mesas de debates contaram também com a participação de Giovanni Coppini, da Euro-Mediterranean Centre on Climate Change Foundation; Ghada El Serafy, especialista em Assimilação de Dados e Engenharia Ambiental; Lorna Inniss, chefe da subcomissão Unesco-IOC’s para o Caribe e Regiões Adjacentes; Yvonne Lokko, chefe da Unidade de Agroinovação e Bioeconomia da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido); Freeman Elohor Oluowo, coordenadora do Centro Africano para Ações Climáticas e Desenvolvimento Rural (ACCARD); Espen Ronneberg, conselheiro sênior de Acordos Multilaterais sobre Mudanças Climáticas do Centro Comunitário do Pacífico para Ciência Oceânica (PCCOS); e Wenxi Zhu, chefe da Subcomissão da Unesco-IOC’s para o Pacífico Ocidental (WESTPAC).