INPO promove debates na COP30
As atividades contaram com a participação dos diretores Segen Estefen, Andrei Polejack e Janice Trotte-Duhá
O oceano esteve no centro dos debates que ocorreram nesta sexta-feira (14) na Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, espaço oficial de divulgação científica da COP30. Três painéis, organizados pelo INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas), trouxeram para o palco temas como energias renováveis, economia azul, mudança climática e Oceans20 no âmbito do G20 Social. As discussões podem ser acessadas no canal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no YouTube.
O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, abriu a sessão do período da tarde com o painel Energias renováveis a partir do oceano. Ele destacou o avanço das iniciativas brasileiras no campo das energias renováveis offshore e comemorou o engajamento do país na busca por uma matriz limpa. “O Brasil hoje tem 47,4% de seu consumo de energia advindo de fontes renováveis, enquanto o percentual do mundo está em 14,3%. Estamos em uma ótima posição”, defendeu, citando dados que levam em conta as tecnologias offshore e onshore.
Em sua fala, Estefen apresentou o projeto do Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul, recém-aprovado em edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinará R$ 15 milhões no desenvolvimento de quatro tecnologias para produção de energia renovável offshore. A iniciativa prevê a criação de equipamentos para conversão de energia das ondas, correntes de maré, gradiente térmico do oceano (OTEC) e produção de hidrogênio verde a partir de fontes renováveis offshore. O início das atividades está previsto para 2026, e contará com parceria de instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fundação Getulio Vargas (FGV). “Este projeto vai diminuir a distância do conceito até o protótipo”, explicou o diretor.
Além de Estefen – referência nas pesquisas relacionadas às energias renováveis no Brasil – o painel contou também com a participação de grandes especialistas na temática, como Yasuyuki Ikegami, da Universidade de Saga, no Japão, que apresentou um panorama sobre o potencial do uso do gradiente térmico do oceano (OTEC) no mundo, destacando o potencial de Fernando de Noronha, no Brasil; e Amisha Patel, da Global Offshore Wind Alliance, que tratou da energia eólica offshore. Para Patel, a eólica offshore é uma poderosa fonte de energia limpa disponível nos dias de hoje, cujo valor tem sido cada vez mais reconhecido por governos no mundo.

A programação da tarde seguiu com a mesa-redonda Economia Azul e Mudanças Climáticas, moderada pelo diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack. O debate reuniu Flávio Andrade, CEO da OceanPact; Claire Jolly, chefe da divisão de Economia Oceânica e Economia Espacial (OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico); Michelle Voyer, da Universidade de Wollongong; e Nabil Kadri, superintendente da Divisão de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na conversa, foram abordadas diferentes perspectivas sobre o que significa construir uma economia azul em um cenário de rápidas mudanças climáticas.
Durante o debate, Polejack destacou a urgência de integração para enfrentar os desafios climáticos. “Todos vocês trabalham, de alguma forma, com a economia azul e, ao mesmo tempo, estamos desenvolvendo soluções similares para o mesmo problema. Combinar esses conhecimentos é um dos resultados mais importantes que temos que atingir quando falamos de mudanças climáticas. Não temos tempo”, afirmou Polejack.
A mesa Oceans20 no âmbito do G20 Social, mediada pela diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, reuniu Tammaryn Morris, Ocean and Polar Coordinator (SAEON); Kilaparti Hamakrishna, do Woods Hole Oceanographic Institution (WHO); e o pesquisador Alexander Turra, da Universidade de São Paulo e integrante da rede do INPO. As discussões buscaram integrar os resultados do Ocean20, da COP30 e de outros processos multilaterais em andamento, estabelecendo as conexões entre o G20 Social e as ações globais em prol do oceano.

Janice ressaltou a importância da disseminação da ciência oceânica. “Estamos no processo de democratização da ciência, mostrando a importância do mar. É essencial converter o conhecimento científico em benefícios sociais e esta é também uma das metas do INPO”, afirmou a diretora. Já Alexander Turra reforçou a importância do oceano estar no centro das discussões políticas sobre meio ambiente. “Estou muito orgulhoso que esta é a COP do oceano”, declarou.
A última mesa da tarde, organizada pelo MCTI, tratou da Ciência e Cultura Oceânica como agentes de transformação para a crise climática e contou representantes da rede de pesquisadores do INPO. O debate foi moderado por Leandro Pedron, diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, e reuniu Marinez Scherer, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro da rede INPO e enviada especial para o Oceano da COP30; Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante da rede do INPO; Mary Gasalla, do Instituto Oceanográfico da USP; Sérgio Monforte, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência ea Cultura (Unesco); e Thauan Santos, da Escola de Guerra Naval.

“O oceano é o principal regulador climático do planeta. Se a gente vai falar sobre clima, a gente precisa falar de oceano”, defendeu Marinez Scherer. Os participantes ressaltaram ainda a necessidade de ampliar o entendimento público sobre a importância da cultura oceânica. No debate, Christofoletti enfatizou o papel dos indivíduos nas decisões que impactam o ambiente marinho. “Precisamos compreender o papel que cada pessoa desempenha, como cidadã ou cidadão, nas decisões que afetam o mar”.