Diretor-geral do INPO apresenta estratégias para lidar com desafios que conectam oceano, clima e sociedade
Na COP30, Segen Estefen destacou a importância crescente de infraestrutura científica, inovação tecnológica e redes amplas de cooperação
O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, apresentou na COP30 uma visão integrada sobre como enfrentar de maneira inteligente os desafios que conectam oceano, clima e sociedade em um cenário de rápidas transformações. Na última quarta-feira (19), durante sua participação na mesa “How to be smart in meeting ocean-climate-societal challenges in a changing landscape”, no espaço da Zona Azul, ele destacou a importância crescente de infraestrutura científica, inovação tecnológica e redes amplas de cooperação para compreender e responder às mudanças em curso no Atlântico Sul e Tropical.
Na ocasião, Estefen abordou dois aspectos distintos de soluções inteligentes. A primeira é referente à mitigação, que é o Centro de Energia Azul, um projeto do INPO que desenvolverá protótipos de equipamentos para viabilizar fontes de energia renováveis. A outra é o projeto de criação do gêmeo digital do oceano Atlântico Sul e Tropical.
“Essa junção de soluções de mitigação e adaptação vai propiciar conhecimento e dados para que os tomadores de decisão levem em conta o desenvolvimento científico na tomada de decisões para enfrentamento das mudanças climáticas”, afirmou Estefen.
Centro Temático e Digital Twin: novas apostas do INPO
O Centro Temático de Energias Renováveis no Oceano – Energia Azul será coordenado pelo INPO e desenvolvido em parceria com Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O centro buscará acelerar o desenvolvimento e a implantação de protótipos para a transição energética, com foco em tecnologias como energia de correntes de maré, produção de hidrogênio e utilização de água dessalinizada.
O Digital Twin do Atlântico Sul e Tropical será uma representação virtual de alta fidelidade do oceano, construída a partir da integração de dados físicos, químicos, biológicos e socioeconômicos coletados por sensores, satélites e veículos autônomos. A plataforma permitirá simular cenários, analisar impactos e apoiar decisões em áreas como adaptação climática e governança oceânica. O objetivo é operar uma ferramenta capaz de aprimorar o monitoramento, a previsão e o planejamento em escala regional, conectando ciência e gestão pública e oferecendo suporte para políticas de mitigação, proteção costeira e manejo sustentável.
Estefen explicou os processos dinâmicos essenciais para a compreensão do sistema climático, destacando a relação entre a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) e a convecção do Giro Subpolar (SPG). Ele descreveu o SPG como uma espécie de “sala de máquinas” da circulação: a AMOC transporta água quente e salgada para o Norte, onde o resfriamento intenso aumenta sua densidade. Isso permite que ela afunde e retorne em profundidade, sustentando o ramo profundo da circulação.
Rede científica e áreas estratégicas de atuação
O diretor-geral aproveitou o encontro para apresentar a Rede de Pesquisa, Inovação e Infraestrutura (RPII) que compõe o INPO, reunindo mais de 1.400 pesquisadores distribuídos por 30 universidades, 18 empresas, nove Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e seis sociedades e redes científicas. Estefen explicou que essa estrutura cobre uma ampla geografia e sustenta linhas de investigação, que incluem circulação oceânica em grande escala, interação oceano-continente-atmosfera, mudanças climáticas, biodiversidade aplicada, geologia submarina, ecossistemas, tecnologia de águas profundas, pesca, aquicultura, biotecnologia e iniciativas alinhadas ao conceito de One Blue Health.
A rede também integra instrumentação oceanográfica, infraestrutura de dados, inteligência artificial, observação oceânica e energias renováveis offshore. Entre os programas estratégicos do INPO, Estefen destacou quatro frentes principais: sistemas de observação do oceano, instrumentação oceanográfica, infraestrutura de dados e energias renováveis offshore.