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Raias-manta mergulham na “zona da meia-noite” para criar mapas mentais de navegação oceânica

Raia-manta
27 DE NOVEMBRO, 2025
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Um estudo pioneiro publicado na revista científica Frontiers in Marine Science revelou um comportamento surpreendente das raias-manta oceânicas (Mobula birostris): mergulhos a profundidades de até 1.250 metros, na região conhecida como zona da meia-noite ou zona batipelágica. A pesquisa, que rastreou 24 raias-manta por uma década, sugere que esses mergulhos não são somente para alimentação ou fuga de predadores, mas também um mecanismo sofisticado de navegação oceânica. A descoberta redefine a compreensão sobre a vida desta espécie, que está ameaçada de extinção, no oceano profundo.

A equipe internacional de pesquisadores, liderada por Calvin Beale, da Universidade Murdoch, na Austrália, monitorou mais de 46 mil mergulhos em águas próximas ao Peru, Indonésia e Nova Zelândia. Os dados mostraram que essas raias realizam mergulhos profundos, que as expõem a temperaturas gélidas e alta pressão, logo antes de começarem longas migrações. O padrão de descida em “degraus”, com breves pausas em diferentes profundidades, indica que os animais analisam as condições ambientais estáveis do fundo do mar.

Os cientistas acreditam que, ao acessar as condições consistentes de temperatura, oxigênio e, possivelmente, o campo magnético da Terra presentes na zona da meia-noite, as raias-manta conseguem construir um mapa mental que as orienta ao longo do oceano aberto. Esta dependência de habitats profundos para a migração de raias tem implicações cruciais para a conservação da espécie, o que reforça a necessidade de proteção não apenas das áreas costeiras de alimentação, mas também das rotas migratórias oceânicas, onde o risco de interação com a pesca é elevado.

Saiba mais em: https://www.frontiersin.org/journals/marine-science/articles/10.3389/fmars.2025.1630451/full