Diretor do INPO participa da Conferência Europeia de Diplomacia Científica
destaque-4Andrei Polejack apresentou a experiência brasileira de integrar pesquisa, infraestrutura científica e aplicação dos resultados em benefício da sociedade
O diretor de Pesquisa e Inovação do INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas), Andrei Polejack, participou nesta quarta-feira (17) da 2ª Conferência Europeia de Diplomacia Científica, realizada em Copenhague, na Dinamarca. O evento, que segue até quinta-feira (18), reúne autoridades, cientistas e diplomatas de diferentes países para discutir o papel estratégico da diplomacia científica em um cenário de rápidas transformações geopolíticas e científico-tecnológicas.
Segundo Polejack, a presença do tema ‘Oceano’ no centro das discussões europeias demonstra a relevância crescente da ciência do mar nas relações internacionais. “A União Europeia tem incorporado a diplomacia científica como dimensão estratégica de seu planejamento e o oceano surge como um dos temas prioritários, ao lado do espaço e das regiões polares”, ressaltou.
Polejack integrou o painel Diplomacia das ciências oceânicas como agente de mudança?,que contou também com a participação de Kieran Coleman, da Comissão Europeia; Alice Vadrot, da Universidade de Viena (Áustria); João Bettencourt, do Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia); e Angelique Poupounneau, da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS). A mesa teve como moderadores Sverre Ole Drønen e Edvard Hviding, da Universidade de Bergen (Noruega).
O debate tratou do papel e da importância da diplomacia científica relacionada ao oceano na garantia da sustentabilidade e igualdade entre as nações e da proteção à biodiversidade. Durante a mesa, os participantes abordaram também temas como a importância do compartilhamento de dados e conhecimentos científicos; as desigualdades entre países que possuem forte investimento em pesquisas em relação aos que não têm; a necessidade de investimentos contínuos em ciência para o futuro da sociedade; e os desafios e lacunas do Tratado do Alto-Mar (Acordo BBNJ). “O oceano é um, está vivo e só temos vida no planeta por conta dele. Mas é um bem comum global com leis muito específicas. As águas internacionais, por exemplo, não eram bem reguladas, o que vai mudar a partir de 2026”, afirmou o diretor do INPO.
Os participantes destacaram ainda a importância do constante investimento em ciência para o desenvolvimento de projetos como, por exemplo, o digital twin do mar. A réplica virtual e dinâmica do oceano, que integra dados em tempo real de satélites e sensores, foi citada como uma importante ferramenta para monitorar e antecipar fenômenos naturais extremos, além de auxiliar na mitigação de acidentes ambientais, como derramamentos de óleo, ajudando na tomada de decisões mais eficazes.
O diretor do INPO também ressaltou a singularidade do oceano nos processos de diplomacia científica. “Sabemos pouco ainda dos processos oceânicos e isso não ajuda muito na hora de tomarmos decisões mundiais, como no âmbito da ONU, por exemplo. Por isso, a diplomacia científica do oceano é tão singular e importante: quase tudo em relação ao oceano tem fortes bases científicas que informam os processos de tomada de decisão global”, lembrou.
Representando o INPO no evento, Polejack apresentou a experiência brasileira de integrar pesquisa, infraestrutura científica e aplicação dos resultados em benefício da sociedade. “O INPO traz uma perspectiva diferenciada ao produzir conhecimento estratégico, que pode subsidiar processos decisórios e apoiar a diplomacia brasileira com informações técnicas e científicas sobre o oceano”.
A conferência foi organizada pela Presidência Dinamarquesa do Conselho da União Europeia e pela Comissão Europeia, em parceria com instituições acadêmicas e científicas. O evento visou, ainda, fortalecer o papel da Europa como líder global em ciência, tecnologia e cooperação internacional, alinhada à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Assista ao painel aqui.