Importantes para a proteção da pele, protetores solares podem ameaçar ecossistemas marinhos
BiodiversidadeVida MarinhaEssencial para a proteção da pele contra os raios nocivos do sol, o protetor solar ganha ainda mais destaque durante o verão. O uso do produto é amplamente recomendado por especialistas em saúde para prevenir queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele. No entanto, pode representar uma ameaça aos ecossistemas marinhos.
Todos os anos, toneladas de protetores solares chegam ao oceano, seja pelo banho de mar, seja pelo escoamento de águas residuais. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Marine Pollution Bulletin analisou 111 artigos científicos sobre os efeitos ambientais dos filtros solares e apontou um cenário preocupante: as substâncias presentes nesses produtos estão disseminadas por todo o planeta, não apenas em regiões turísticas.
Os protetores solares contêm compostos químicos conhecidos como filtros ultravioleta (UV), responsáveis por bloquear a radiação solar. Alguns desses filtros incluem substâncias como a benzofenona-3 (oxibenzona), consideradas tóxicas e que representam um risco significativo para os organismos marinhos. Pesquisas indicam que esses compostos podem, por exemplo, provocar o branqueamento de corais e reduzir a fertilidade de peixes e outros animais aquáticos.
Muitas dessas substâncias podem atuar como desreguladores endócrinos, capazes de interferir no sistema hormonal dos organismos. Isso pode afetar a reprodução das espécies e agravar ainda mais a atual crise global de perda de biodiversidade.
Diante desse cenário, cresce o debate sobre como conciliar a proteção da saúde humana com a preservação do meio ambiente. Alguns destinos conhecidos pela rica biodiversidade marinha, como o Havaí e o arquipélago de Palau, já adotaram medidas restritivas, como a proibição da venda ou importação de protetores solares que contenham determinados filtros UV considerados especialmente prejudiciais aos recifes de corais.
Paralelamente, a indústria cosmética começa a responder à demanda por alternativas mais sustentáveis. Algumas marcas já oferecem protetores solares formulados com ingredientes menos agressivos ao meio marinho.
Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X2500102X