INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

INPO celebra 2 anos e inicia projetos que fortalecem a pesquisa sobre o oceano

17 DE JANEIRO, 2026
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Energia azul, dados oceanográficos e instrumentação marcam o início do terceiro ano de atuação

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) completa dois anos consolidando sua estrutura e ampliando sua atuação. Segundo o diretor-geral, Segen Estefen, o ano de 2024 foi dedicado à organização interna do instituto, 2025 marcou o avanço de projetos, parcerias e processos de governança, e em 2026 iniciamos uma etapa de implementação de iniciativas estruturantes. O período também deve aprofundar a cooperação científica e tecnológica e fortalecer a integração da Rede de Pesquisa, Inovação e Infraestrutura (RPII).

“O INPO chega ao seu terceiro ano com maturidade e clareza de propósito. Tudo o que construímos até aqui nos permite olhar para 2026 com expectativa de resultados consistentes para o instituto e para a ciência oceânica”, afirma.

Avanços em projetos estruturantes 

Em 2025, o INPO teve dois projetos estruturantes selecionados por editais FINEP, no âmbito do FNDCT.  O Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul, que permitirá o desenvolvimento de equipamentos para testar a viabilidade de quatro tecnologias em dessalinização da água do mar por energia das ondas, produção de hidrogênio a partir de energia eólica offshore, e produção de eletricidade por gradiente térmico e por energia das marés. O segundo trata do projeto básico de engenharia do futuro Centro de Instrumentação Oceânica, etapa inicial para a implantação de uma infraestrutura nacional voltada à manutenção, calibração e desenvolvimento de equipamentos  para a observação oceânica, uma demanda histórica da comunidade científica. Ambos reforçam a estratégia do INPO de investir na criação de ambiente e infraestrutura que permitam ao país desenvolver capacidades próprias em observação, tecnologia e inovação voltadas para o oceano.

A perspectiva em 2026 é no avanço desses projetos em direção a fases de execução. O Centro de Energia Azul inicia sua implementação com a colaboração de universidades e laboratórios de diferentes regiões do país; e o projeto arquitetônico do Centro de Instrumentação estabelece as bases para uma infraestrutura nacional estratégica.

Outro marco relevante em projetos estruturantes é o avanço do ecossistema de banco de dados (SADD), que reunirá informações oceanográficas existentes no Brasil e no exterior, com foco no Atlântico Sul, em uma plataforma integrada, qualificada e acessível. A base também passará a incorporar dados gerados por novas observações e projetos, fortalecendo a capacidade nacional de produzir conhecimento e apoiar aplicações futuras em modelagem, monitoramento e predição. A infraestrutura de dados e acordos de cooperação nacional e internacional irão propiciar a implantação do projeto de pesquisa, em elaboração, referente ao Gêmeo Digital do Oceano Atlântico Sul e Tropical.

Já a Rede INPO, que se consolidou nos últimos dois anos e reúne mais de 1.400 integrantes voltados para a pesquisa oceânica brasileira, também deverá ganhar novas formas de coordenação e integração. O diretor-geral reforça que o momento é de continuidade e amadurecimento, com o apoio do Conselho Científico constituído em 2025.

“O INPO entra no terceiro ano com um conjunto de iniciativas estruturadas e com uma rede cada vez mais ativa. Vamos avançar de forma consistente em 2026, em bases sólidas norteadas pela ciência, tecnologia e inovação”, afirma Estefen.

Cooperação internacional reforça papel do INPO 

No cenário nacional e internacional, o ano de  2025 evidenciou a importância crescente do tema Oceano. A UNOC3, realizada na França, reuniu governos, cientistas e organismos multilaterais em torno da pauta do oceano. O INPO participou como um dos representantes brasileiros, firmando cooperações importantes — entre elas acordos com a Mercator Ocean International, na área de dados e modelagem, e com a Fundação Ocean Quest em iniciativas voltadas à exploração do oceano profundo. Essas parcerias ampliam a capacidade técnica do instituto e fortalecem conexões essenciais para projetos de longo prazo.

Oceano ganha centralidade nas políticas públicas

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo MCTI, e, posteriormente, a COP30 realizada em novembro de 2025 reforçaram a relevância do oceano em debates sobre temas referentes à  mudança climática, resiliência costeira, alternativas de adaptação, biodiversidade e inovação. A presença contínua do INPO nesses espaços consolidou a percepção de que o instituto exerce um papel estratégico no debate nacional sobre o mar brasileiro. Um agente capaz de contribuir com dados, articulação científica e integração de players de vários setores voltados para o oceano.

Do ponto de vista de projetos futuros, existe também a perspectiva da participação do INPO numa iniciativa conjunta com o MCTI, cujo objetivo é estabelecer observatórios oceanográficos nas ilhas oceânicas, utilizando essas regiões  como áreas estratégicas de monitoramento. A proposta, ainda em discussão, prevê aproveitar a localização remota dessas ilhas para coletar informações contínuas sobre variáveis climáticas e oceanográficas. O INPO tem contribuído nas discussões técnicas preliminares e poderá ter papel relevante na implantação, caso a iniciativa avance. O objetivo central é fortalecer o Sistema de Observação dos Oceanos do Brasil e alinhá-lo às metas da Década da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável.
Estamos construindo as bases de um instituto capaz de integrar ciência, tecnologia e inovação, com cooperação nacional e internacional  estruturada. O que virá a partir de 2026 é a consolidação desse trabalho, com resultados significativos que possam iniciar um processo de apoio contínuo para subsídio às políticas públicas”, conclui Segen.