Summer School 2026 foca em IA e robótica em ambientes oceânicos
Evento reúne 15 pesquisadores de diferentes nacionalidades em início de carreira
A edição 2026 da AAORIA Summer School, programa internacional voltado a pesquisadores em início de carreira, foi realizado, de 9 a 11 de abril, no Senai-Cimatec, em Salvador (BA). Organizado pelo INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o evento reuniu, ao longo de três dias, quinze participantes de dez países em uma imersão que combina teoria, prática e articulação com o setor produtivo.
“Temos, com a Summer School, a possibilidade de promover avanços de conhecimento aos estudantes. Na edição do ano passado, alguns chegaram a mudar o rumo de suas pesquisas. Esse é um importante legado”, afirma a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá.
A programação do primeiro dia foi marcada por palestras que apresentaram um panorama das aplicações da inteligência artificial e da robótica em ambientes oceânicos. O pesquisador Rodrigo da Silva Guerra, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), abriu a série de conferências com uma análise sobre autonomia e IA no Atlântico, destacando os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento tecnológico na região.
“Eu me senti honrado com o convite para dar a palestra de abertura. Realmente, esse é um evento muito especial pois tem um público seleto, permitindo muito intercâmbio e troca de saberes com colegas. Os continentes e as divisões políticas nos separam, mas as águas do oceano são as mesmas e nos unem”, afirmou Guerra.
Na sequência, o professor e pesquisador Paulo Drews Jr., também da Furg, falou sobre como a robótica pode contribuir para o futuro do oceano. As apresentações reforçaram o papel crescente dessas tecnologias na exploração sustentável e no monitoramento de ambientes marinhos.
Mesas-redondas ampliaram o debate ao reunir representantes da academia, da indústria e de instituições. Mediado pelo professor e pesquisador Fabio Nascimento, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o primeiro painel discutiu os desafios e oportunidades da robótica marinha e da inteligência artificial no Atlântico, e teve a participação de Rodrigo Bouças (Marinha do Brasil); Paulo Drews Jr. (Furg), e Felipe Laydner (Senai-Cimatec). Já o segundo encontro trouxe à tona temas como inovação aberta e transferência de tecnologia para o setor oceânico, com a participação de especialistas como Leonardo Barreira (OceanPact); Leonardo Pereira (Universidade Federal de Pelotas/UFPel), e Luiz Guerra (Petrobras).
A Summer School aposta na integração entre diferentes áreas do conhecimento. Ao final do dia, durante visita técnica às instalações do Senai-Cimatec, os pesquisadores puderam conhecer de perto estruturas voltadas ao desenvolvimento tecnológico.
“Minhas expectativas estão centradas na promoção de um ambiente dinâmico de aprendizado, troca de conhecimentos e construção de conexões entre jovens pesquisadores de diferentes contextos e nacionalidades. Espero que o curso proporcione não apenas o aprofundamento em temas relacionados à inovação, mas também a criação de redes colaborativas e o estímulo ao pensamento crítico e interdisciplinar, contando com a contribuição de excelentes professores e organizadores”, afirmou Dileine Cunha, coordenadora de negociações internacionais do CNPq.
A Summer School 2026 é uma coorganização do INPO, Furg, CNPq e Senai-Cimatec, e conta com o apoio de iniciativas internacionais, tais como o consórcio OKEANO e a AAORIA.