“Adesão do Brasil à Agência Internacional de Energia é decisão estratégica”, diz diretor do MCTI
destaque-4INPO será o representante do país na IEA; anúncio foi nesta segunda-feira (13)
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) será o representante do Brasil na Agência Internacional de Energia (IEA). O anúncio da adesão do país foi feito, nesta segunda-feira (13), pelo diretor do Departamento de Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leandro Pedron, que classificou a entrada do Brasil como um avanço na estratégia nacional de transição energética.
“A adesão à Agência Internacional de Energia representa uma decisão estratégica do governo brasileiro. Olhar para o oceano como fonte de energia renovável é fundamental para o futuro da transição energética, e isso precisa ser tratado como prioridade”, afirmou. Ele destacou ainda que a participação no programa amplia a presença do país em agendas internacionais e fortalece o papel do INPO como articulador dessa agenda.
A importância da entrada do Brasil na iniciativa foi destacada pela secretária-executiva do programa Ocean Energy Systems (OES), Ana Brito. Vinculado à Agência Internacional de Energia, o OES é a principal iniciativa internacional voltada à cooperação no desenvolvimento de tecnologias de energia oceânica. Ela ressaltou o peso estratégico da adesão do Brasil para a agenda global. “O nosso trabalho depende do alinhamento entre os países na promoção das energias renováveis oceânicas. O Brasil, com seu enorme potencial de recursos, era uma ausência importante. Estamos muito satisfeitos com essa adesão”, afirmou.

Para o diretor-geral do INPO, Segen Estefen, a participação brasileira representa um avanço concreto na conexão entre ciência, tecnologia e aplicação prática. “Nosso esforço é encurtar o tempo entre o desenvolvimento científico e a aplicação dessas tecnologias. A energia oceânica tem um enorme potencial, e essa integração internacional contribui diretamente para acelerar esse processo”, disse.
Ele também destacou a sinergia com iniciativas já em curso no país, como o Centro de Energia Azul, apoiado pelo Governo Federal. “Estamos estruturando um ambiente para pesquisa, testes e demonstração de diferentes tecnologias. Isso também é um caminho para atrair investimentos e aproximar o setor produtivo desse campo”, completou.
A diretora de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, Karina Araújo Souza, afirmou que a adesão ao programa reflete uma evolução na articulação das políticas públicas. “Estamos falando de tecnologias de baixo carbono, que incluem desde eólicas offshore até a geração de energia no ambiente marinho. A participação do Brasil nesse programa mostra uma atuação coordenada entre diferentes áreas do governo, integrando ciência, inovação e planejamento energético”, disse. Segundo ela, o alinhamento entre ministérios fortalece tanto o desenvolvimento tecnológico quanto a atração de investimentos para o setor.
Adesão reforça estratégia nacional de energia e inovação
A adesão brasileira ocorre no âmbito do programa Ocean Energy Systems (OES), iniciativa da Agência Internacional de Energia dedicada ao desenvolvimento de tecnologias de energia oceânica. O ingresso no programa insere o Brasil em uma rede internacional de países que atuam de forma coordenada no avanço de soluções energéticas de baixo carbono, com foco no aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.
Cooperação internacional em energia oceânica
A Agência Internacional de Energia (IEA) é uma organização intergovernamental que coordena políticas energéticas globais, produz dados e análises oficiais, apoia a transição energética e promove a cooperação entre países em áreas estratégicas.
Criado em 2001, o programa Ocean Energy Systems (OES) reúne cerca de 25 países e instituições em torno de uma agenda comum voltada ao aproveitamento sustentável do potencial energético dos oceanos. A energia oceânica engloba diferentes tecnologias que utilizam processos naturais do oceano para geração de eletricidade, como ondas, marés, correntes, gradientes térmicos e gradientes de salinidade.
Na prática, o programa funciona como uma plataforma de cooperação internacional que conecta governos, centros de pesquisa e setor produtivo. Sua atuação envolve o desenvolvimento de projetos colaborativos, a produção de relatórios técnicos e recomendações de políticas públicas, o intercâmbio de dados e experiências entre países e o apoio à validação de tecnologias em escala real.
A participação brasileira, por meio do INPO, representa um passo estratégico para o fortalecimento da agenda nacional de energia azul. Ao integrar uma das principais redes internacionais do setor, o país amplia oportunidades de cooperação científica, acesso a conhecimento técnico especializado e participação na construção de diretrizes globais para o desenvolvimento sustentável da energia oceânica.