INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Estudo caracteriza microalga associada à floração no Nordeste e amplia conhecimento sobre espécie pouco estudada

22 DE ABRIL, 2026
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Pesquisa identificou associação entre Blixaea quinquecornis e Chaetoceros tenuissimus e contribuiu para ampliar o conhecimento genético sobre a espécie.

Um estudo recente caracterizou a microalga Blixaea quinquecornis a partir de uma floração registrada no litoral do Nordeste brasileiro. Intitulada “Bloom of Blixaea quinquecornis (Abé) Gottschling (Dinophyceae) with Chaetoceros tenuissimus Meunier in the South Atlantic: Morphology, molecular characterization, and toxins”, a pesquisa combinou análises morfológicas, identificação molecular e triagem de toxinas, confirmando a presença da espécie associada à diatomácea Chaetoceros tenuissimus e contribuindo com a segunda sequência genética disponível globalmente para B. quinquecornis.

O evento analisado ocorreu em fevereiro de 2024 na região de Recife (PE), cobrindo cerca de 80 km² e se estendendo até aproximadamente 15 quilômetros da costa, com concentrações de até 2,3 milhões de células por litro e alteração visível na coloração da água. O trabalho foi conduzido por uma equipe de pesquisadores brasileiros liderada por Marcella Guennes e Silvia Mattos Nascimento, com participação de Priscila Kienteca Lange, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INPO.

As análises confirmaram a presença da espécie associada à diatomácea Chaetoceros tenuissimus, encontrada em estreita relação com o dinoflagelado durante o evento. Segundo os autores, essa associação é considerada uma característica do grupo ao qual a espécie pertence.

Microscopia óptica de células de campo

Análise de toxinas não identifica compostos conhecidos

O estudo incluiu triagem para diferentes classes de toxinas marinhas, como toxinas paralisantes, palitoxinas e brevetoxinas. De acordo com os resultados, nenhuma dessas substâncias foi detectada nas amostras analisadas.

Os autores destacam, no entanto, que não é possível descartar a presença de um possível análogo de palitoxina, indicando a necessidade de investigações adicionais.

A espécie Blixaea quinquecornis já havia sido registrada em 2023 em amostras coletadas na região de Tamandaré (PE), em um contexto de relatos de sintomas em pessoas expostas a aerossóis marinhos, como irritação ocular, tosse e desconforto respiratório. Esses episódios, conhecidos localmente como “tingui”, são descritos na literatura desde a década de 1940, mas ainda não têm causa definida. A floração analisada no estudo ocorreu posteriormente, em 2024, e, segundo os autores, não houve registro de sintomas semelhantes durante esse evento.

Avanço no conhecimento da espécie

Além da dimensão do evento, o estudo detalha características morfológicas da espécie, como forma e tamanho das células, e confirma sua identidade por meio de análise genética. Também registra sua ocorrência associada à Chaetoceros tenuissimus, reforçando aspectos já descritos para o grupo.

Os autores apontam a necessidade de estudos futuros para aprofundar a compreensão sobre a relação entre as espécies associadas e investigar de forma mais abrangente a possível produção de toxinas.