Diretora do INPO é nomeada para comitê internacional do OceanObs’29
Infraestrutura OceânicaPela primeira vez, o Brasil será representado no comitê de organização com a participação de Janice Trotte-Duhá
A diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, foi nomeada para integrar o Program Committee do OceanObs’29, uma das mais importantes conferências internacionais dedicadas aos sistemas de observação oceânica, a ser realizada em 2029, em Qingdao, na China. O grupo, formado por 21 especialistas de diferentes regiões do mundo, é responsável por definir as diretrizes científicas e estratégicas do encontro, incluindo prioridades temáticas e mecanismos de engajamento da comunidade global. Janice representa o Sul Global, ao lado de Juliet Hermes, da South African Environmental Observation Network (SAEON). Esta é a primeira vez que o Brasil tem um representante no comitê de organização do OceanObs, que se encontra na 4ª edição.
Realizada desde 1999, a cada 10 anos, a OceanObs desempenha papel central na avaliação dos avanços e desafios dos sistemas de observação oceânica no mundo e conta com uma agenda preparatória, cuja programação ocorre em paralelo ao Global Ocean Summit 2026, em Hong Kong, na China. Durante três dias, o comitê de organização da OceanObs’29 se reunirá para discutir os pilares essenciais para a próxima década. Entre os temas em debate estão a liderança científica, a estrutura dos sistemas de observação, o engajamento da comunidade e o fortalecimento da cooperação internacional.
Para a diretora do INPO, um dos principais desafios está no avanço da infraestrutura e na integração de dados entre países. “Temos enorme interesse em discutir a infraestrutura de dados, o que é necessário e como fomentar isso em países com diferentes níveis de desenvolvimento, garantindo que os dados sejam interoperáveis”, afirma. Segundo Janice, a proposta é assegurar que os sistemas de observação oceânica sejam sustentáveis e capazes de gerar resultados de longo prazo, fundamentais para a compreensão das mudanças climáticas e da dinâmica do oceano.
Em 2029, a conferência deverá consolidar um plano de ação com metas e diretrizes para o futuro da observação oceânica global. “O principal resultado será a entrega de um plano de ação com metas físicas e cronológicas, capaz de trazer, espera-se, até 2030, uma visão diferente sobre o papel do oceano nas mudanças climáticas”, diz Janice.
A participação do INPO no processo reforça o protagonismo brasileiro na agenda internacional, especialmente no contexto da Década do Oceano. “Como brasileira e representante de um país que sediará a próxima Conferência da Década, no Rio de Janeiro, vou levar também a visão do Sul Global e o que temos realizado até aqui, sobretudo agora, sendo o INPO uma instituição que estabelece sistemas de observação como um programa estruturante, com o provisionamento da infraestrutura necessária para que ele melhor se organize e se desenvolva.”, destaca a diretora do instituto.
Ao representar o Atlântico Sul, região ainda marcada por lacunas de dados e desafios de financiamento, Janice pretende levar ao comitê as principais dificuldades enfrentadas por países em desenvolvimento. “É uma região em que as informações ainda são esparsas, e o provisionamento de recursos financeiros para manter sistemas operacionais não está garantido. O que a gente hoje vive é o provisionamento de recursos para projetos, uma vez que os sistemas de observação sofrem muito, se houver descontinuidade no provisionamento de dados”.
Nesse contexto, Janice destaca que o fortalecimento desses sistemas passa por uma visão integrada e de longo prazo. “Nosso principal objetivo, no Brasil, é que a gente tenha um Gêmeo Digital do oceano e, mais que tudo, que o culminar desses esforços permita delinear uma inteligência oceânica nacional”, explica. Para isso, será necessário promover a articulação de diferentes instituições – como universidades, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a Marinha do Brasil, responsável pelo Banco Nacional de Dados Oceanográficos – em uma grande federação de dados.