Diretor-Geral do INPO debate geoengenharia na São Paulo Climate Week
GeoengenhariaEncontro reuniu especialistas para discutir a agenda oceano-clima
O Diretor-Geral do INPO, Segen Estefen, foi um dos palestrantes do evento “O Futuro é Azul – O Oceano no Centro da Ação Climática”, que integrou a programação da São Paulo Climate Week (SPCW). O encontro foi realizado no dia 3 de agosto, na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, e reuniu especialistas para discutir o papel do oceano na agenda climática. Durante sua participação, Estefen abordou como a engenharia pode contribuir para a adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas por meio de intervenções de larga escala, conhecidas como geoengenharia.
Estefen integrou o painel “Conhecimento e informação para a agenda oceano-clima”, moderado por Alexander Turra, professor da USP e membro da rede de pesquisadores do INPO. O debate contou ainda com a participação de Gabriele Hall (cônsul-geral da Austrália), Deborah Prado (Unifesp) e Tarin Mont’Alverne (UFC). A programação do dia também incluiu a participação de Marinez Scherer, enviada especial para o Oceano da COP30, e Ana Toni, CEO e diretora-executiva da COP30, na roda de conversa Mulheres do Mar.
Geoengenharia: um “Plano B” para as mudanças climáticas
Embora a prioridade global permaneça na mitigação e redução de emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global, Estefen defende que a ciência precisa estar preparada para cenários críticos. Para ele, a geoengenharia funciona como uma “carta na manga” para mitigação de efeitos climáticos. “Essa área de engenharia pode ser útil numa grande emergência. Se nós não conseguirmos controlar essas emissões e a temperatura começar a subir muito, pode ser uma ferramenta a se lançar mão, mesmo que por um período.”, explica.
Alguns exemplos estudados atualmente incluem o controle da radiação solar – por meio de técnicas como o clareamento de nuvens e a instalação de objetos ou guarda-sóis na estratosfera – e de remoção de CO₂ da atmosfera via captura direta por máquinas ou fertilização oceânica. No entanto, o diretor-geral do INPO ressalta que o estágio atual dessas tecnologias exige cautela. “O que se tem hoje de consenso da comunidade científica é que isso ainda é prematuro. É necessário que pesquisas mais intensas sejam realizadas para que se entendam as consequências e impactos dessas intervenções”.
Para ele, qualquer intervenção oceanográfica ou atmosférica deve seguir normas rígidas de segurança. “O princípio da precaução nos diz que é preciso ter segurança para fazer quaisquer intervenções. Você só pode intervir quando tiver segurança de que pode desinstalar aquilo, voltar a ser o que era, e ter controle dos efeitos e consequências”, afirma.
Um dos maiores desafios apontados por Estefen não é apenas técnico, mas diplomático e regulatório. Como as mudanças climáticas não respeitam fronteiras, ações isoladas de um país podem impactar regimes climáticos e biológicos em escala global.
“É necessário termos uma governança global para isso. E ela é fundamental para definir quais as ações em grande escala que poderão ser realizadas”, alerta o diretor do INPO. Sem um acordo, intervenções como o clareamento de nuvens ou o uso de espelhos estratosféricos poderiam gerar conflitos geopolíticos ou consequências ambientais imprevistas.
Como exemplo de soluções baseadas na engenharia para a descarbonização, Estefen destaca o Centro de Energia Azul, iniciativa liderada pelo INPO para desenvolver tecnologias de geração de energia renovável a partir do oceano. O projeto prevê a criação de soluções para o aproveitamento da energia das ondas, correntes de maré, gradiente térmico do oceano e produção de hidrogênio verde, com potencial para apoiar a transição energética e reduzir as emissões de carbono.
Além dos recifes, Estefen destaca as “soluções da natureza pela natureza”, como a restauração de manguezais, que possuem uma capacidade de absorção de CO₂ superior à das florestas convencionais. Para ele, o papel da engenharia é tirar essas ideias do campo teórico através de planejamento para a execução em larga escala.
São Paulo Climate Week
A São Paulo Climate Week foi realizada entre os dias 3 e 7 de agosto e promoveu mais de 250 atividades em diferentes pontos da cidade, abordando temas como Florestas, Oceanos e Biodiversidade, Transição dos setores de Energia, Indústria e Transporte, Cidades Resilientes, entre outros.