Curso do INPO apresenta tecnologias de ponta para tratamento de grande volume de dados oceânicos
Formação reúne 22 pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e aponta soluções em nuvem para armazenar, processar e compartilhar dados
“Estamos diante de um conhecimento de vanguarda, com participantes de diferentes regiões do Brasil, o que ajuda a disseminar o conhecimento pelo país”. A avaliação é do professor da Faculdade de Oceanografia (FAOC) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Eduardo Negri, que participa do curso “Arquiteturas Cloud-Native e Formatos Modernos de Dados para Oceanografia Operacional, Clima e Meteorologia em Escala de Múltiplos Terabytes”, realizado pelo INPO e iniciado nesta terça-feira (1º), na sede do instituto, no Rio de Janeiro.
Ministrado por Tobias Ferreira, pesquisador do National Oceanography Centre (NOC), uma das principais instituições internacionais dedicadas às ciências oceânicas, o curso apresenta tecnologias de armazenamento em nuvem voltadas ao gerenciamento de grandes volumes de dados utilizados pela comunidade científica. A proposta é tornar mais ágeis e acessíveis processos de armazenamento, processamento, acesso e compartilhamento de informações.
“A ideia é trazer para a comunidade brasileira o entendimento de como a tecnologia está sendo usada no tratamento de dados climáticos, meteorológicos e oceanográficos. Temos como objetivo fomentar uma rede de troca entre Brasil e Reino Unido. Para isso, pretendemos organizar um workshop com integrantes brasileiros no ano que vem e, após o curso, criar um grupo para compartilhar experiências”, explicou Ferreira, ressaltando que a iniciativa do INPO teve financiamento da Cake, instituição do Reino Unido sem fins lucrativos.
Ao longo destes três dias de atividades, o programa está abordando arquiteturas cloud-native e formatos de dados de alto desempenho, ferramentas que vêm modificando a maneira de trabalhar com conjuntos de informações cada vez maiores e mais complexos. O primeiro dia foi dedicado aos fundamentos, com atividades sobre metadados, formatos cloud-native e modelos do formato ZARR. A programação também combina conteúdos teóricos e atividades práticas, permitindo aos participantes conhecer aplicações relacionadas ao armazenamento e ao processamento de grandes bases de dados.

Para Lívia Sancho, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE-UFRJ) – que participa da formação como estudante e monitora – as tecnologias apresentadas podem trazer ganhos de eficiência para laboratórios que trabalham com grandes volumes de informações.
“Esse curso será muito útil para a nossa realidade. Chegamos a demorar semanas para baixar grandes volumes de dados, para, só depois, conseguir trabalhar com eles. Isso vai otimizar e aumentar a eficiência do nosso trabalho”, afirmou.
Na quarta-feira (2), o grupo aprofundará os conhecimentos sobre armazenamento na nuvem, conversão de dados e versionamento. No último dia, a programação será voltada ao ecossistema avançado, com a participação online de representantes de instituições britânicas que apresentarão experiências, aplicações e diferentes formas de visualização de dados.
Critérios de seleção
Ao todo, 22 participantes foram selecionados para acompanhar presencialmente as aulas. A escolha levou em consideração critérios como área de atuação, setor – pesquisa, poder público, iniciativa privada e terceiro setor –, formação e gênero, buscando reunir diferentes perfis profissionais.
A realização do curso também está relacionada a um dos projetos estruturantes do INPO, o Sistema de Armazenamento e Disponibilização de Dados (SADD). “O SADD já nasceu com armazenamento nativo em nuvem. A ideia do curso surgiu da necessidade de aprofundar este conhecimento e pensamos em expandir para a comunidade oceânica, porque é preciso também investir nas pessoas, além de tecnologia”, explicou Carla Lage, doutora e analista em Tecnologia do INPO.
A iniciativa integra os esforços do instituto para fortalecer a formação de especialistas em infraestrutura de dados. Com a combinação de formação técnica, atividades práticas e intercâmbio de experiências internacionais, o curso contribui para ampliar a capacidade de análise e monitoramento nas áreas de oceanografia, meteorologia e clima.
“Trouxemos um professor que é uma grande referência na área de dados. Espero que todos os participantes possam levar o melhor dessa experiência”, comemorou Janice Trotte-Duhá, diretora de Infraestrutura e Operações do INPO.