Curso do INPO apresentou tecnologias de ponta para tratamento de grande volume de dados oceânicos
destaque-4Formação reuniu 22 pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e apontou soluções em nuvem para armazenar, processar e compartilhar dados
“Estamos diante de um conhecimento de vanguarda, com participantes de diferentes regiões do Brasil, o que ajuda a disseminar o conhecimento pelo país”. A avaliação é do professor da Faculdade de Oceanografia (FAOC) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Eduardo Negri, que participou do curso “Arquiteturas Cloud-Native e Formatos Modernos de Dados para Oceanografia Operacional, Clima e Meteorologia em Escala de Múltiplos Terabytes”, realizado pelo INPO na terça-feira (1º de setembro), na sede do instituto, no Rio de Janeiro.
Ministrado por Tobias Ferreira, pesquisador do National Oceanography Centre (NOC), uma das principais instituições internacionais dedicadas às ciências oceânicas, o curso apresentou tecnologias de armazenamento em nuvem voltadas ao gerenciamento de grandes volumes de dados utilizados pela comunidade científica. A proposta foi abordar como tornar mais ágeis e acessíveis processos de armazenamento, processamento, acesso e compartilhamento de informações.
“A ideia é trazer para a comunidade brasileira o entendimento de como a tecnologia está sendo usada no tratamento de dados climáticos, meteorológicos e oceanográficos. Temos como objetivo fomentar uma rede de troca entre Brasil e Reino Unido. Para isso, pretendemos organizar um workshop com integrantes brasileiros no ano que vem e, após o curso, criar um grupo para compartilhar experiências”, explicou Ferreira, ressaltando que a iniciativa do INPO teve financiamento da Cake, instituição do Reino Unido sem fins lucrativos.
Ao longo dos três dias de atividades, o programa abordou arquiteturas cloud-native e formatos de dados de alto desempenho, ferramentas que vêm modificando a maneira de trabalhar com conjuntos de informações cada vez maiores e mais complexos. O primeiro dia foi dedicado aos fundamentos, com atividades sobre metadados, formatos cloud-native e modelos do formato ZARR. A programação também combinou conteúdos teóricos e atividades práticas, permitindo aos participantes conhecer aplicações relacionadas ao armazenamento e ao processamento de grandes bases de dados.

Para Lívia Sancho, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE-UFRJ) – que participou da formação como estudante e monitora – as tecnologias apresentadas podem trazer ganhos de eficiência para laboratórios que trabalham com grandes volumes de informações.
“Esse curso será muito útil para a nossa realidade. Chegamos a demorar semanas para baixar grandes volumes de dados, para, só depois, conseguir trabalhar com eles. Isso vai otimizar e aumentar a eficiência do nosso trabalho”, afirmou.
Na quarta-feira (2), o grupo aprofundou os conhecimentos sobre armazenamento na nuvem, conversão de dados e versionamento. No último dia, a programação voltou-se ao ecossistema avançado, com a participação online de representantes de instituições britânicas que apresentaram experiências, aplicações e diferentes formas de visualização de dados.
Critérios de seleção
Ao todo, 22 participantes foram selecionados para acompanhar presencialmente as aulas. A escolha levou em consideração critérios como área de atuação, setor – pesquisa, poder público, iniciativa privada e terceiro setor –, formação e gênero, buscando reunir diferentes perfis profissionais.
A realização do curso também está relacionada a um dos projetos estruturantes do INPO, o Sistema de Armazenamento e Disponibilização de Dados (SADD). “O SADD já nasceu com armazenamento nativo em nuvem. A ideia do curso surgiu da necessidade de aprofundar este conhecimento e pensamos em expandir para a comunidade oceânica, porque é preciso também investir nas pessoas, além de tecnologia”, explicou Carla Lage, doutora e analista em Tecnologia do INPO.
A iniciativa integra os esforços do instituto para fortalecer a formação de especialistas em infraestrutura de dados. Com a combinação de formação técnica, atividades práticas e intercâmbio de experiências internacionais, o curso contribuiu para ampliar a capacidade de análise e monitoramento nas áreas de oceanografia, meteorologia e clima.
“Trouxemos um professor que é uma grande referência na área de dados. Espero que todos os participantes possam levar o melhor dessa experiência”, comemorou Janice Trotte-Duhá, diretora de Infraestrutura e Operações do INPO.