Estudantes de escolas públicas do Rio farão mergulho virtual nas profundezas do Atlântico Sul
Primeira visita será em 24/9; iniciativa visa estimular jovens em carreiras relacionadas ao oceano
A convite do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), cerca de 150 adolescentes de escolas públicas do estado do Rio de Janeiro terão a oportunidade de “embarcar” em uma verdadeira viagem pelas profundezas do Atlântico Sul. Os estudantes serão “tripulantes virtuais” do navio Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute (SOI), que vem realizando expedições ao oceano profundo. A iniciativa “Mergulho nas águas profundas do Atlântico Sul” reunirá seis escolas ao longo dos meses de setembro e outubro, aproximando os jovens da ciência, da exploração oceânica e dos desafios de conhecer e preservar os ambientes marinhos.
Os estudantes poderão conversar com pesquisadores brasileiros que estão participando da expedição a bordo do navio, um dos mais bem equipados do mundo, conhecer o espaço e acompanhar os resultados das pesquisas. Neste ano, as expedições do Falkor (too) no Atlântico Sul já descobriram cerca de 30 novas espécies marinhas. A exploração ganha ainda mais relevância diante do fato de o oceano profundo ser praticamente desconhecido.
Parte da atividade acontecerá no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da COPPE/UFRJ, dentro de uma Cave, um espaço moderno de visualização que possibilita aos estudantes aprender e vivenciar fenômenos do oceano através de experiências imersivas.
O principal objetivo da iniciativa é estimular os adolescentes a optarem futuramente por carreiras voltadas a ampliar o conhecimento sobre o oceano. Apesar de sua importância para o planeta, o oceano ainda é menos conhecido do que o espaço. Ele é o principal regulador do clima global; produz 50% do oxigênio da Terra e absorve cerca de 30% do CO2 – o principal vilão do aquecimento global.
“Nós ainda precisamos conhecer melhor o mar e esta iniciativa pode despertar nos jovens a vontade de escolher profissões que têm como foco trabalhar com o oceano. A gama de escolhas é enorme e vai da oceanografia à matemática ou à engenharia”, afirma o diretor-geral do INPO, Segen Estefen.
A experiência permitirá também que os estudantes conheçam equipamentos utilizados na exploração do oceano profundo, como o SuBastian, um veículo operado remotamente (ROV), capaz de mergulhar a mais de quatro mil metros de profundidade e fazer descobertas inacessíveis ao ser humano sem a ajuda da tecnologia. Também conhecerão a LUMA, o primeiro ROV brasileiro a mergulhar nas águas da Antártica. Luma será apresentada pelos próprios pesquisadores que a desenvolveram e acompanharam a expedição.
Os alunos participarão ainda de atividades práticas. Com a ajuda de pesquisadores e monitores, eles aprenderão a montar um mini -ROV e poderão acompanhar uma demonstração do funcionamento do equipamento em uma piscina., simulando a prática no fundo do mar. Também haverá demonstrações de drones, espécie de “robôs voadores”, equipados com tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores para monitorar cardumes de peixes, vazamentos de óleo no mar, detectar desmatamento de manguezais, entre outras atividades.
A primeira escola a participar da iniciativa será o Colégio Municipal Dom Helder Câmara, em 24 de setembro. As escolas que apresentarem o melhor desempenho receberão um mini ROV para reproduzir a experiência com outros estudantes.
“Mergulho nas águas profundas do Atlântico Sul” é uma iniciativa promovida pelo INPO, em parceria com o Schmidt Ocean Institute (SOI), a Society for Underwater Technology (SUT) e conta com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) e do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), ambos da Coppe/UFRJ.
Ao todo, serão realizadas seis sessões educacionais presenciais entre setembro e outubro de 2026, permitindo que os participantes vivenciem a rotina diária de uma expedição oceanográfica em regiões ainda pouco exploradas do Atlântico Sul, incluindo ambientes de águas profundas ao largo da costa brasileira e montes submarinos oceânicos.