Ciência na prática para descobrir o oceano profundo
Estudantes do ensino médio do CIEP 345 Y-Juca Pirama Intercultural Brasil-Suécia participaram, nesta terça-feira (28), da segunda oficina “Mergulho nas Águas Profundas do Atlântico Sul”, promovida pelo INPO. A iniciativa combina o contato virtual ao vivo com pesquisadores brasileiros a bordo do navio de pesquisas oceanográficas R/V Falkor (too), da Schmidt Ocean Institute (SOI), a uma série de atividades interativas que visam aproximar os jovens das pesquisas e tecnologias utilizadas para investigar o oceano profundo. A atividade “Mergulho nas Águas Profundas do Atlântico Sul” é uma iniciativa do INPO, em parceria com a Schmidt Ocean Institute (SOI) e a Society for Underwater Technology (SUT), com apoio do Lamce e do LEAD, ambos da Coppe/UFRJ.
Realizada no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe/UFRJ, a oficina proporciona aos alunos uma experiência prática com diferentes ferramentas e conceitos da pesquisa oceanográfica. Com óculos 3D, eles visualizam projeções que ajudam a compreender o funcionamento das correntes marítimas e outros fenômenos naturais. Em uma sala escura e climatizada, conversam ao vivo com pesquisadores que participam da expedição na Zona de Fratura Romanche – uma das regiões menos conhecidas do Oceano Atlântico.
A programação também inclui uma atividade de construção e operação de mini-ROVs, Veículos Operados Remotamente. Na visita virtual ao navio, depois de visualizarem o ROV SuBastian, equipamento que possibilita a coleta de seres vivos, sedimentos e água no oceano profundo, os jovens podem ver o seu funcionamento na prática, montando uma versão reduzida e testando suas habilidades de pilotagem em uma piscina no estacionamento do laboratório.
“Essa parte ‘mão na massa’ faz com que eles fiquem mais próximos das tecnologias. Isso pode motivá-los para que, no futuro, queiram realizar pesquisas ou integrar o mercado de trabalho ligado ao oceano”, afirmou o diretor-geral do INPO, Segen Estefen.

Ciência que se aprende na prática
Segundo o professor da Coppe/UFRJ e coordenador do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), Alessandro Jacoud, a interação entre os próprios estudantes também é parte importante da metodologia. Ao aprender a montar e pilotar um ROV, os jovens compartilham o conhecimento adquirido com os colegas, reforçando o aprendizado.
“Quando você explica para o outro, consegue entender o assunto muito melhor. Ensinar fixa o conhecimento”, explica Jacoud, que, com sua equipe, coordena a montagem de ROVs e a demonstração de drones usados para pesquisas oceânicas.
Outro destaque da visita é a chamada “cave” do Lamce, espaço de visualização no qual os estudantes entram em contato com imagens tridimensionais de fenômenos e organismos do oceano profundo. Por meio de um prisma, eles podem observar alguns dos exóticos seres marinhos descobertos por pesquisadores em expedições do R/V Falkor (too). Com um óculos 3D, visualizam a movimentação de correntes marinhas em um mapa digital.
“Temos um ambiente de visualização muito atraente. A cave é como se você estivesse entrando no oceano sem se molhar. É uma forma muito lúdica de passar conhecimento. Uma experiência inesquecível”, revela o coordenador do Lamce, Luiz Landau.
A estrutura também permite apresentar aos jovens pesquisas oceanográficas desenvolvidas no laboratório, que utilizam cálculos matemáticos sofisticados para investigar e compreender fenômenos naturais marinhos. Para Gerson Cunha, chefe do Centro de Visualização do Lamce, a utilização de recursos interativos contribui para aproximar a universidade da sociedade.
“Todos podem entender com facilidade essa ciência, a partir de uma tela de visualização, apesar de serem temas complexos, com modelos matemáticos bastante sofisticados”, disse.
Durante as oficinas, a pesquisadora e pós-doutoranda do Lamce, Carina Bock, apresenta modelos digitais produzidos a partir de cálculos matemáticos, que permitem visualizar o funcionamento das correntes marinhas e compreender o relevo submarino. “Mostramos como elas não estão apenas na superfície e como o relevo não é plano. Temos uma tela holográfica para isso e os alunos conseguem ver as camadas com os óculos 3D. Isso aumenta o interesse deles”.
Para os estudantes, a experiência prática é um dos principais atrativos da oficina. Stella Santos, aluna do primeiro ano do ensino médio do CIEP, destacou justamente os momentos em que pôde interagir diretamente com as tecnologias.
“Gostei muito de saber sobre os robôs e ver a forma como funcionam dentro da água. Não é só ouvir sobre o tema, mas botar a mão na massa e ver o resultado”, explicou a jovem.
