Estudantes conhecem bastidores de expedição ao oceano profundo
Atividade promovida pelo INPO aproxima alunos de escolas públicas da rotina de pesquisadores que investigam a Zona de Fratura de Romanche
Você sabia que qualquer pessoa que entrar na página do YouTube do Schmidt Ocean Institute (SOI) pode acompanhar imagens do oceano profundo captadas ao vivo pelo navio de pesquisas oceanográficas R/V Falkor (too)? Para estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro que participam da atividade “Mergulho nas Águas Profundas do Atlântico Sul”, no entanto, a experiência vai além das imagens: eles têm acesso aos bastidores da expedição e podem conversar diretamente com os pesquisadores que estão a bordo do navio, investigando uma das regiões menos conhecidas do Atlântico Sul, a Zona de Fratura de Romanche.
Nesta terça-feira (6), alunos da Escola Municipal Gonçalves Dias, em São Cristóvão, conversaram ao vivo com o chefe da expedição, Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e com o pesquisador Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) – integrantes da rede de pesquisadores do INPO. Durante o encontro, conheceram detalhes da rotina a bordo, os equipamentos utilizados nas pesquisas e os robôs responsáveis por mapear o fundo do oceano e coletar amostras.
A atividade é uma iniciativa do INPO, em parceria com o SOI e a Society for Underwater Technology (SUT), com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) e do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), ambos da Coppe/UFRJ.
“Nós conhecemos o mar indo à praia, mas não sabemos nada do que há embaixo das ondas. Os alunos têm o privilégio, nesta atividade, de ter este conhecimento. Eles fazem um ‘mergulho’ a mais de mil metros de profundidade e ainda podem se inspirar em trabalhar, no futuro, com profissões ligadas ao oceano”, comemorou a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, que recebeu os estudantes juntamente com o coordenador do Lamce, José Luis Drummond Alves.

Um mergulho na Zona de Fratura de Romanche
Iniciada em 24 de setembro, a expedição investiga a biodiversidade da Zona de Fratura de Romanche, uma imensa estrutura geológica submarina com aproximadamente dois mil quilômetros de extensão, localizada entre o Brasil e o continente africano. A equipe conta com 25 pesquisadores de nove instituições e quatro países. Após cinco dias de viagem a bordo do R/V Falkor (too), os pesquisadores chegaram ao primeiro ponto selecionado para investigação.
O trabalho começa com o mapeamento do relevo do fundo marinho pelo AUV (veículo autônomo subaquático, na sigla em inglês). “A partir deste mapa, definimos os mergulhos do ROV (veículo operado remotamente), que pode chegar a seis mil metros de profundidade. Atualmente, estamos realizando um mergulho a 1.300 metros”, explicou Bastos.
O navio também conta com equipamentos para coleta de amostras de água e sedimentos. Dados como temperatura, salinidade, nível de oxigênio e clorofila ajudam a compreender como vivem as espécies presentes no fundo do oceano.
“Quando as amostras chegam, vão para uma câmara fria e, depois, passam por medições, fotos e análises de DNA. Estamos fazendo o sétimo mergulho de ROV em uma zona de recife de coral de água profunda”, afirmou Perez, durante um passeio pelos laboratórios do navio.
A dupla de pesquisadores também chamou atenção para a diversidade de profissionais envolvidos nas pesquisas. “A gente não faz ciência sozinho e precisa dessa estrutura para a pesquisa no oceano, além de uma equipe multidisciplinar, que conta com oceanógrafos, biólogos, geólogos, engenheiros, técnicos de robótica e matemáticos, entre outros profissionais”, contou Bastos.
Atividade com foco na educação
Para os estudantes, conhecer de perto esse universo significa também ampliar o olhar sobre o oceano. Na programação, que acontece nas dependências do Lamce, no Parque Tecnológico da UFRJ, os pesquisadores Carina Bock e Gerson Cunha, do Lamce, fizeram uma apresentação sobre modelagens numéricas desenvolvidas pelo laboratório. Os alunos também conheceram o funcionamento dos ROVs, montaram uma versão miniatura do veículo, sob a supervisão do professor Alessandro Jacoud, professor da Coppe/UFRJ e coordenador do LEAD, e testaram o equipamento em uma piscina.
“Nós conhecemos tanto da terra e tão pouco do oceano. Achei muito importante esta atividade acontecer com escolas públicas. É uma valorização do ensino público”, celebrou a jovem estudante do nono ano, Patrícia Costa, de 14 anos.
O “Mergulho nas Águas Profundas do Atlântico Sul” terá ainda mais dois encontros. Na próxima semana, dia 14, estudantes da Escola Municipal Rivadavia, na Cidade Nova, participarão da atividade. Já no dia 20, será a vez dos alunos da Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador.