INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Conexão entre recursos marinhos e saúde ambiental e humana é pauta de webinário 

22 DE OUTUBRO, 2026
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Terceiro encontro faz parte da Iniciativa Nacional sobre Uma Só Saúde Azul

A conservação dos ambientes aquáticos, a saúde dos animais e o bem-estar das populações estão intimamente conectados. Esta foi uma das questões que norteou as apresentações do terceiro webinário da Iniciativa Nacional sobre Uma Só Saúde Azul, realizado nesta quarta-feira (21). O ciclo de debates é promovido pelo INPO, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – por meio da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030) – e com a Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, da Universidade de São Paulo (USP).

“Esta iniciativa busca promover uma maior reflexão de toda a sociedade sobre a interdependência dessas saúdes”, afirmou, na abertura da atividade, a diretora-adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos e coordenadora de Uma só Saúde (ICTB/Fiocruz), Carla Campos.

O encontro reuniu Felipe Matarazzo Suplicy, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri); os pesquisadores da Fiocruz Rachel Hauser-Davis, Sandra Soares, Wim Degrave e Ana Flavia Pinto; e contou com a mediação de Priscila Lange, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INPO.

A relação da maricultura com uma saúde integrada foi o tema da apresentação de Suplicy (Epagri). O pesquisador destacou a conexão entre a qualidade ambiental, a segurança alimentar e a sustentabilidade da produção. Também apresentou o Sistema Integrado de Gestão da Maricultura (Sigmar), ferramenta desenvolvida pela Epagri para o monitoramento ambiental. A ferramenta facilita a fiscalização do cultivo de moluscos e permite rastrear toda a cadeia produtiva.

Rachel (Fiocruz) tratou dos efeitos da contaminação da água sobre os animais marinhos e as pessoas. Em sua apresentação, explicou como os poluentes se acumulam nos organismos ao longo do tempo e podem chegar aos seres humanos, por meio do consumo de produtos advindos do mar. Um dos exemplos citados foi o caso clássico de Minamata, no Japão, onde, na década de 1950, uma fábrica despejou mercúrio nas águas da baía, contaminando peixes e moluscos e, consequentemente, os moradores da região, que consumiam esses alimentos.

“A partir deste momento, começou a preocupação de estudar a contaminação ambiental. Quase toda a poluição acaba na água e se acumula nos organismos expostos. Os animais que estão no topo desta cadeia alimentar, como tubarões e raias, ficam ainda mais expostos, se contaminando pelo ambiente e pelos outros seres que consomem”, explicou a pesquisadora.

Segundo Rachel, a contaminação dos ambientes aquáticos também pode comprometer a reprodução dos animais marinhos, provocar alterações hormonais e afetar ovos, filhotes e o comportamento de diferentes espécies. Essas mudanças prejudicam os estoques pesqueiros e podem gerar consequências socioambientais para as comunidades que dependem da pesca.

A biotecnologia marinha aplicada à saúde foi o tema apresentado pelos pesquisadores Sandra Soares e Wim Degrave (Fiocruz). Para eles, a extensa costa brasileira e a biodiversidade marinha colocam o país em posição de destaque nessa área, mas há o desafio de transformar esse potencial em capacidade efetiva de inovação.

“O futuro não será definido apenas por quem possui a biodiversidade, mas por quem tem a capacidade de compreendê-la, protegê-la e transformá-la em soluções para a sociedade”, destacou Sandra.

A relação entre saúde, território e conhecimentos tradicionais também esteve em pauta. A pesquisadora Ana Flavia Pinto, da Fiocruz, abordou a saúde dos povos ancestrais e a importância de valorizar seus saberes e suas tecnologias.

“Há uma relação sagrada com o território. É preciso valorização das tecnologias ancestrais e políticas públicas para manter a floresta em pé”, defendeu.

O próximo seminário virtual está previsto para 3 de novembro e abordará os efeitos climáticos. A programação da iniciativa inclui ainda um encontro presencial, no dia 14 de dezembro, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro.