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Aquecimento acelera reprodução de pinguins e ameaça equilíbrio na Antártica

Pinguim-de-barbicha: dieta baseada em krill
18 DE MARçO, 2026
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O aumento da temperatura na Antártica tem afetado o ciclo de vida de espécies de pinguins, colocando duas delas em perigo de extinção até o fim deste século. Um estudo recente, publicado no Journal of Animal Ecology, aponta que o período de reprodução desses animais foi alterado. A antecipação da reprodução muda, por exemplo, o sincronismo natural entre o nascimento dos filhotes e a disponibilidade de alimento.

Entre 2012 e 2022, áreas de reprodução registraram elevação média de 3°C, o que desencadeou uma antecipação inédita no comportamento reprodutivo dessas aves marinhas. O fenômeno foi identificado a partir do monitoramento de colônias ao longo de uma década, com o uso de câmeras remotas que registraram continuamente o comportamento dos pinguins. Segundo o estudo, esta foi a mudança mais rápida no ciclo de vida já observada em um vertebrado.

Antes, eles se reproduziam em épocas diferentes, mas, atualmente, os períodos estão se sobrepondo, ocorrendo um aumento na competição por alimentos. Esse descompasso pode comprometer, portanto, o desenvolvimento dos jovens, que dependem de períodos específicos de abundância alimentar para sobreviver.

Pinguim-de-adélia: mudança nos ciclos de reprodução

Entre as espécies analisadas estão o pinguim-de-adélia, o pinguim-de-barbicha e o pinguim-gentoo – todas conhecidas por suas características físicas marcantes. Enquanto pinguins-de-adélia e pinguins-de-barbicha possuem dieta mais restrita, baseada principalmente em krill, os pinguins-gentoo apresentam maior flexibilidade alimentar e são mais agressivos na busca por alimentos.

Pinguim-gentoo: mais agressivos na busca por alimentos

Além disso, os pinguins-gentoo demonstram maior capacidade de adaptação às novas condições ambientais, o que lhes permite expandir territórios e ocupar áreas antes dominadas por outras espécies. Esse avanço contribui para a redução de populações mais vulneráveis, especialmente em regiões da Antártica.

Projeções indicam que, mantido o ritmo atual de mudanças, algumas populações podem desaparecer até o fim do século, especialmente aquelas com menor capacidade de adaptação às novas condições.  Especialistas destacam a necessidade de monitoramento contínuo dessas espécies para compreender os efeitos a longo prazo e avaliar possíveis estratégias de conservação diante de um ambiente em rápida transformação.

Fontes:

Journal of Animal Ecology – https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2656.70201

AP News – https://apnews.com/article/penguin-climate-antarctica-breeding-early-problem-2e97598207700506b3266c73934d0368?utm_source=Live+Audience&utm_campaign=b64295c66a-nature-briefing-anthropocene-20260123&utm_medium=email&utm_term=0_-33f35e09ea-500269276