Avanço na consolidação da infraestrutura oceânica em 2026
Diretoria de Infraestrutura e Operações projeta ano de entregas estruturantes e fortalecimento de parcerias
A área de Infraestrutura e Operações entra em 2026 preparada para dar sequência às grandes entregas, após dois anos dedicados à construção das bases técnicas, institucionais e operacionais do INPO. Para Janice Trotte-Duhá, diretora da área, este será o ano em que projetos estruturantes estarão, em certa medida, materializados e em apoio à pesquisa oceânica .
“2026 vai ser o ano da consolidação e entrega de grandes projetos. Entre eles, destaco o avanço da Infraestrutura de Dados, que entra em fase de consolidação, ao mesmo tempo em que manterá sua estrutura dinâmica e contínua junto à comunidade usuária”, afirma Janice.
Centro de Instrumentação ganha forma
Outro pilar estratégico é o Centro de Instrumentação Oceanográfica, cuja implantação vem buscando captar recursos adicionais, além de parcerias estratégicas junto ao setor privado e empresarial. O projeto arquitetônico está em fase de contratação, o que garante condições para avançar na definição da estrutura futura.
“Já temos recursos para finalizar o projeto arquitetônico, bem como dar início ao Núcleo de Implantação do Centro, em conjunto com a iniciativa privada. Agora, vamos caminhar mais celeremente”, afirma. Para Janice, esse centro é decisivo, porque o país depende hoje da calibração de sensores realizada no exterior, o que cria gargalos, aumenta custos e, se não for feita, compromete a confiabilidade dos dados.
Expedições e cooperação internacional
O ano de 2026 deve marcar o fortalecimento das cooperações internacionais firmadas pelo INPO ao longo dos dois últimos anos. A parceria com o Mercator Ocean International é vista como essencial para os projetos voltados para a digitalização do Atlântico Sul e há muito esperada, enquanto o acordo com a OceanQuest abre caminho para estudos em mar profundo, especialmente sobre montes submarinos na área do Atlantico.
Janice afirma que o ano de 2026 será caracterizado por duas grandes expedições em montes submarinos localizados em áreas geográficas de grande interesse científico para o Brasil, a serem realizadas a bordo do navio Falkor (too), pertencente à Schmidt Ocean, instituição filantrópica que vem colaborando de forma muito positiva com o Brasil.
“Tenho muita expectativa de que, em 2026, a gente tenha condição de aproveitar melhor todos esses acordos já firmados e definir os próximos passos para as expedições em montes submarinos, nos anos de 2027 e 2028”, diz.
Articulação nacional e observação oceânica
No campo nacional, a diretora também espera avanços nas articulações com a Prefeitura do Rio de Janeiro, que incluem projetos de monitoramento da agitação marítima, do nível médio do mar e da erosão costeira. São iniciativas de alto impacto, mas que ainda dependem da alocação de recursos que vem sendo buscados por nós. Para ela, essas ações dialogam diretamente com a missão do INPO de articular ciência, sociedade e tomada de decisão.
Três projetos estruturantes que formam a espinha dorsal da pesquisa oceânica no país: a infraestrutura de dados, o centro de instrumentação e o sistema nacional de observação oceânica. Este último pretende articular iniciativas já em execução, como o SimCosta, ReNoMo, GOOS-Brasil e PIRATA, em um sistema otimizado, para o qual o INPO pretende colaborar de modo decisivo.
A diretora lembra que essas iniciativas enfrentam dificuldades por falta de instrumentos, infraestrutura logística embarcada e acesso à tecnologia. Ressalta também a importância de se estabelecer sistemas observacionais em ilhas oceânicas, áreas estratégicas para a conservação da biodiversidade e de impacto geopolítico para o país, em termos de monitoramento e vigilância de grandes áreas da Amazônia Azul.
“É preciso ter instrumentos bem calibrados, realizando observações e medições oceânicas importantes, armazenando essas informações em uma infraestrutura de dados que possa ser acessada por todos e para conhecimento amplo”, afirma.
“Monitoramento oceânico não se faz sem navio”, reforça.
Protagonismo internacional e visão de futuro
No cenário internacional, Janice destaca como marco o papel do INPO no Oceans20, Grupo de Engajamento vinculado ao G20 Social. O instituto liderou a elaboração de um Communiqué, em 2024, que hoje serve de referência para a África do Sul e deverá orientar também os Estados Unidos, que assumirão a presidência do G20. Janice integra o advisory board do Oceans20 e acredita que essa atuação continuará forte em 2026.
“Reafirmamos princípios e compromissos que gostaríamos de ver no âmbito do G20”, ressalta a diretora.
Para 2026, a diretora de Infraestrutura e Operações projeta um ano de amadurecimento e impacto. Com infraestrutura, acordos internacionais e projetos estruturantes em andamento, ela vê o INPO entrando no ciclo de entrega.
“Só com uma infraestrutura de dados robusta, instrumentos calibrados e observação integrada é que começaremos a pensar ainda mais à frente, com projetos de alta visibilidade e relevância regional, como a digitalização do Atlântico Sul e Tropical, ou o “Digital Twin”, conclui.