Cientistas desenvolvem modelo de previsão climática para proteger ecossistemas de recifes no Caribe
Coraismonitoramento oceânicoModelo estatístico antecipa branqueamento de corais com seis meses de antecedência
Pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) desenvolveram um método capaz de prever eventos de branqueamento de corais com uma antecedência de cinco a seis meses.
Enquanto os métodos de monitoramento mais utilizados hoje em dia, como o Degree Heating Week (DHW) da NOAA, operam principalmente com alertas em tempo real ou com projeções de curto prazo – o que limita a capacidade de planejamento estratégico –, a ferramenta, denominada Bleaching Event Early Predictor (BEEP), utiliza a análise de padrões climáticos de larga escala para identificar riscos antes que as ondas de calor atinjam os ecossistemas marinhos.
O sistema BEEP baseia-se no monitoramento da interação entre três grandes modos climáticos dos oceanos Pacífico e Atlântico: a Variabilidade Multidecadal do Atlântico, o El Niño e a Oscilação do Atlântico Norte. Quando esses três fenômenos se alinham de maneiras específicas, eles enfraquecem os ventos regionais e suprimem as correntes de ressurgência que normalmente resfriam as águas dos recifes, permitindo que a temperatura suba perigosamente acima do limite suportado pelos corais da ilha de Curaçao, no Caribe.
Para validar essa tecnologia, os cientistas analisaram amostras de esqueletos de corais na ilha. Através de tomografias computadorizadas de 44 núcleos de corais, eles reconstruíram um registro histórico de 72 anos (1950 a 2022), identificando “bandas de estresse” que funcionam como cicatrizes deixadas por eventos passados de calor extremo.
O estudo, publicado este ano na revista Communications Earth & Environment, da Nature, demonstrou que o BEEP previu corretamente oito dos nove eventos de branqueamento identificados nessas amostras. Além disso, provou que pode ser aplicado atualmente ao prever os recordes de temperatura e eventos de branqueamento de 2023 e 2024 com uma probabilidade superior a 99%.

As faixas de estresse nos corais refletem eventos de branqueamento ocorridos no passado em Curaçao. (Nature Communications Earth & Environment, 2026, 7:473)
A principal contribuição desta ferramenta é o aumento do tempo de resposta para gestores de recifes e profissionais de restauração. Com uma janela de quase meio ano, poderiam ser implementadas, por exemplo, medidas para mitigação do branqueamento, como mover fragmentos de viveiros in situ para águas mais profundas e frias; transferir estoques de viveiros para instalações terrestres antes da chegada do estresse térmico; planejar o fechamento temporário de locais turísticos ou reduzir a pesca para minimizar o estresse adicional sobre os corais vulneráveis.
Os autores também enfatizam que uma das maiores vantagens do BEEP é não exigir modelos climáticos complexos ou uma grande capacidade computacional para ser implementado, pois utiliza índices climáticos publicados mensalmente e disponíveis para o público geral.
Embora focado inicialmente em Curaçao, os pesquisadores indicam que o modelo pode ser adaptado para outras regiões tropicais, oferecendo um caminho para previsões sazonais de branqueamento em escala global.
Referência/Fonte:
Galochkina, M., Cohen, A.L., Oppo, D.W. et al. Climate modes can be leveraged to forecast coral bleaching months in advance. Commun Earth Environ 7, 473 (2026). https://doi.org/10.1038/s43247-026-03438-7