Cooperação científica aproxima estudantes da pesquisa no oceano profundo
Iniciativa do INPO promove conversas com cientistas a bordo do Falkor (too) e apresenta laboratórios, robôs e pesquisas sobre a biodiversidade marinha
Cooperação é palavra-chave para a pesquisa científica. Nas cinco sessões já realizadas da atividade “Mergulho nas águas profundas do Atlântico Sul”, estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro têm conversado ao vivo com pesquisadores brasileiros a bordo do navio R/V Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute (SOI), e descoberto a diversidade de profissionais, de diferentes formações e nacionalidades, que trabalham em conjunto em prol das descobertas científicas. Nesta quarta-feira (14), alunos da oitava série do Ensino Fundamental da Escola Municipal Rivadávia Corrêa conheceram as dependências do navio, os robôs utilizados para investigar o oceano profundo e os laboratórios onde os animais, rochas e amostras de água e sedimentos coletados estão sendo analisados. A sexta e última visita da série acontece em 20 de outubro.
Os encontros são uma iniciativa do INPO, em parceria com o SOI e a Society for Underwater Technology (SUT), com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) e do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), ambos da Coppe/UFRJ.
“O que os alunos vivenciam é um exemplo de cooperação entre instituições internacionais. É uma preocupação do INPO levar conhecimento à sociedade e às novas gerações. Nesta experiência, eles ainda conhecem muitas carreiras ligadas ao oceano. Existem diversos caminhos para se trabalhar com o mar”, afirmou o diretor de Administração e Finanças do INPO, Rodolfo Fraenkel, que recepcionou os jovens juntamente com o pesquisador Gerson Cunha, do LAMCE.

A cooperação também faz parte da rotina a bordo do Falkor (too). Biólogos marinhos, oceanógrafos, geólogos, engenheiros e técnicos em robótica trabalham na expedição The Gap, chefiada pelo pesquisador Angel Perez, da Univali e integrante da rede INPO. A equipe investiga a biodiversidade da Zona de Fratura Romanche, uma cadeia de montanhas submarinas muito extensa que liga a costa brasileira ao continente africano.
“Estamos encontrando muita diversidade, mesmo nas áreas mais profundas. Vimos jardins gigantescos de esponjas do mar e corais a mais de 4 mil metros de profundidade. E, em pontos diferentes de análise, encontramos uma mudança nessa diversidade. É lindo demais”, comemorou o pesquisador Gilberto Bergamo (USP), um dos anfitriões da visita virtual desta quarta.
Além da conversa com os cientistas a bordo, a programação no LAMCE inclui a visualização de telas holográficas e projeções que explicam o funcionamento de correntes marinhas e a formação de diversos fenômenos meteorológicos. Os alunos também podem conhecer diferentes tipos de robôs usados na pesquisa oceânica, a partir de exemplares desenvolvidos pela equipe do LEAD.
“Eles podem visualizar e experimentar vários tipos de robôs utilizados para inspecionar o mar de diferentes perspectivas, por cima e submersos”, explicou o professor Alessandro Jacoud, da Coppe/UFRJ e coordenador do LEAD.
Para os estudantes, a atividade tem sido bastante estimulante. “Achei muito legal. Eu gostaria de estar lá, trabalhando. Fiquei inspirado com o que vi. Gostei muito dos animais diferentes que eles descobrem. Queria estar nessa parte de testagem de DNA”, afirmou Diogo Martins, de 14 anos.

A expedição prossegue até 28 de outubro, com pesquisas em diferentes pontos do oceano profundo, e termina em Gana. O público pode acompanhar as imagens transmitidas pelo veículo operado remotamente (ROV) no canal do Schmidt Ocean Institute no YouTube.