COP 30: INPO reforça protagonismo do oceano em ampla programação e parcerias estratégicas
Confira a agenda completa do Instituto no maior evento global das Nações Unidas para discussão e negociações intergovernamentais sobre mudança climática
O ano de 2025 consolidou o oceano como um dos principais temas presentes nas discussões políticas ligadas ao meio ambiente. O tema ganhou ainda mais destaque durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), a ser realizada em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro. A participação do INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) no evento reforça o protagonismo do oceano nos debates e o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na busca por soluções aos desafios climáticos.
“O debate sobre o oceano na COP 30 é muito relevante, considerando que o mar tem um papel fundamental nas mudanças climáticas e é o regulador do clima do planeta. O INPO estará participando de vários eventos no decorrer da semana. Uma agenda intensa, que reflete a missão do Instituto como interlocutor oficial do Brasil sobre o oceano”, destaca Segen Estefen, diretor-geral do INPO.
Na programação da COP 30, no dia 10, o diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, será o único brasileiro a discursar na mesa Leveraging the ocean as the greatest ally in combating climate change. A atividade – que abrirá o Pavilhão Virtual do Oceano e reunirá 14 representantes de instituições científicas, comunidades costeiras, organizações internacionais e governos – vai destacar a importância do oceano para o clima, a biodiversidade e o bem-estar das populações humanas. Polejack trará para o debate o tema dos alimentos marinhos e seu papel na segurança alimentar global. Segundo ele, a transição para modelos sustentáveis já está em andamento – mas requer redução efetiva da poluição, controle da pesca ilegal e fortalecimento da governança dos recursos marinhos.
“Aproveitar a pesquisa e o desenvolvimento para a produção sustentável de alimentos a partir do oceano não é apenas um desafio técnico, mas também moral. Significa projetar sistemas alimentares, que nutram tanto as pessoas quanto o planeta; fortalecer a governança contra práticas ilegais e predatórias; e mobilizar conhecimento e inovação para uma economia azul justa e regenerativa. Ao olharmos para a COP 30, vemos uma oportunidade histórica de colocar a ciência e a tecnologia a serviço das pessoas e do planeta”, explica Polejack.
Outro marco da participação do INPO acontecerá no dia 11: o lançamento do livro Mudanças climáticas no Brasil: estado da arte e fronteiras do conhecimento, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que inclui o capítulo “Oceano e Zonas Costeiras” – coordenado pelo diretor-geral do INPO, Segen Estefen, e Moacyr Araújo, vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O capítulo abrange 12 temas distintos relacionados ao oceano e reúne contribuições de 19 especialistas que são referência em suas áreas, a maioria vinculada à rede INPO. Os textos traçam um panorama das pesquisas de ponta desenvolvidas no Brasil, fortalecendo o conhecimento científico sobre o mar, seus desafios e possíveis contribuições na adaptação das cidades frente aos efeitos das mudanças climáticas. “Este capítulo mostra de forma integrada algumas das pesquisas científicas mais relevantes em andamento no Brasil sobre a interação oceano-clima”, afirma Estefen.

No dia 12, será assinado protocolo de intenções será assinado pelo diretor-geral do INPO, Segen Estefen, e o Presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mario Moreira, voltado ao desenvolvimento de pesquisas conjuntas sobre o conceito de “Uma Só Saúde Azul” (One Health Blue). O acordo também prevê a integração da Fiocruz à rede do INPO, o que ampliará a cooperação científica entre as instituições e o estudo das relações entre o oceano, a saúde humana e o meio ambiente.
No dia 14, o INPO terá presença marcante na Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, espaço de divulgação científica da COP 30, com três painéis de debates dedicados ao oceano. Estefen ministrará a Palestra Magna Energias Renováveis a Partir dos Oceanos, destacando as possibilidades de geração de energia limpa e sustentável a partir do mar, como ondas, correntes e marés. O diretor-geral vai falar também sobre o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano-Energia Azul, projeto do INPO, que acaba de ganhar o edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no valor de R$ 15 milhões.
Na mesma atividade, o diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, mediará o painel Economia Azul e Mudanças Climáticas, com foco em oportunidades de desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica. Participam da mesa de debates Flávio Andrade, CEO da OceanPact; Claire Jolly, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); Nabil Kadri, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e Michelle Voyer, da Australian National Centre for Ocean Resources and Security (ANCORS).
A diretora de Infraestrutura e Operações do Instituto, Janice Trotte Duhá, mediará o painel Oceans20 no âmbito do G20 Social, com a participação dos representantes da África do Sul Tammaryn Morris (SAEON), Kilaparti Hamakrishna (WHOI), Gabriel Otero (UNGC), que abordarão as potenciais contribuições do grupo para o enfrentamento às mudanças climáticas. O INPO atuou como coorganizador do Grupo de Engajamento Social do G20, conhecido como Oceans20, e segue atuando em conjunto com a África do Sul – país atualmente detentor da presidência do G20 – nessa temática.
“Esse evento buscará integrar os resultados do Ocean20, da COP30 e de outros processos multilaterais em andamento, estabelecendo as conexões entre o G20 Social e as ações globais em prol do oceano, assegurando que a ciência continue a orientar as decisões e políticas públicas. Somente por meio da cooperação internacional, da mobilização de múltiplos setores e da valorização do conhecimento científico, será possível transformar compromissos em ações concretas que assegurem a proteção do oceano e o equilíbrio climático do planeta”, afirma Janice.
Com uma programação robusta e diversificada, o INPO reafirma seu compromisso com a pesquisa científica, a inovação e a sustentabilidade dos oceanos, contribuindo para que o tema continue no centro das discussões climáticas globais.