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Dados oceânicos: diagnóstico do INPO aponta caminhos para a transformação digital do Atlântico Sul

Dados Oceânicos
20 DE OUTUBRO, 2026
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Levantamento identifica oportunidades de integração e compartilhamento de informações; parceria com o Banco Nacional de Dados Oceanográficos fortalece ação estratégica 

O Brasil reúne instituições, acervos e competências essenciais para conhecer o oceano e apoiar seu uso sustentável. Conectar essas capacidades é um dos caminhos apontados pelo Diagnóstico de Dados Oceânicos do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), que identificou oportunidades para ampliar o compartilhamento de informações, a continuidade das observações e a integração da infraestrutura nacional.

Essa visão orienta a parceria entre o INPO e o Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO), que desenvolvem uma ação estratégica para a transformação digital do Atlântico Sul. A iniciativa valoriza estruturas existentes e busca converter dados em conhecimento, serviços e apoio à tomada de decisão.

O diagnóstico mapeou 147 bases nacionais e internacionais com informações sobre o Brasil e os oceanos Atlântico Sul e Tropical. Das 41 bases nacionais identificadas, sete são dedicadas exclusivamente a dados in situ e produtos oceânicos. Os números refletem o universo e os critérios do levantamento e ajudam a compreender como essas informações estão organizadas e são utilizadas.

O estudo combinou levantamento bibliográfico, consultas a especialistas e questionário com 22 perguntas, respondido por 143 integrantes da comunidade científica brasileira. Foram analisados acesso, interoperabilidade e cobertura temática e espacial das bases.

Entre os participantes, 81% declararam utilizar bases abertas, enquanto 43,4% disseram não disponibilizar publicamente os dados de suas pesquisas. Os resultados apontam condições que precisam ser fortalecidas para ampliar o compartilhamento.

Nesse sentido, o Sistema de Armazenamento e Disponibilização de Dados (SADD), desenvolvido pelo INPO, reúne os elementos necessários para, em conjunto com o BNDO, contribuir para ampliar o armazenamento, a integração e o acesso aos dados oceanográficos, reunindo informações de diferentes fontes e promovendo sua interoperabilidade e reutilização.

De acordo com o diagnóstico do INPO, cerca de 90% dos participantes demonstraram interesse em compartilhar dados pelo SADD. Tal adesão está associada, em parte, a condições de governança e licenciamento, mas também exige infraestrutura e reconhecimento, o que reforça a importância de desenvolver a solução em diálogo com os usuários.

A presença de dados brasileiros em repositórios internacionais integra a cooperação necessária ao estudo do oceano. Processos como circulação oceânica, variabilidade climática e mudanças nos ecossistemas ultrapassam fronteiras e exigem intercâmbio de observações e conhecimento. Essa participação não implica, por si só, dependência externa: pode ampliar a visibilidade da produção nacional e complementar as capacidades brasileiras.

O principal desafio é facilitar a localização, o acesso e o uso conjunto de informações distribuídas entre instituições e plataformas, dentro do princípio FAIR (Findability, Accessibility, Interoperability and Reusability).

Fortalecer essa articulação permite aproveitar melhor os investimentos em coleta de dados e ampliar seus benefícios científicos, sociais e econômicos.

O Diagnóstico destaca também a necessidade de ampliar a continuidade das observações e das séries temporais. Medições de longo prazo de variáveis oceânicas essenciais permitirão acompanhar mudanças ambientais, aprimorar previsões e subsidiar políticas públicas.

Capacidades nacionais conectadas

Segundo a Diretora de Infraestrutura e Operações, Janice Trotte-Duhá, “a parceria entre INPO, BNDO e instituições de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tais como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), insere uma infraestrutura crítica para o país, em que a transformação digital do Atlântico Sul exigirá conectar acervos e competências, ampliar a interoperabilidade e definir responsabilidades institucionais para preservar e utilizar as informações”.

A iniciativa também prepara a integração de observações, modelos numéricos e ferramentas analíticas, criando condições para um gêmeo digital do oceano. Seu valor está em transformar informações em representações e simulações capazes de apoiar a compreensão de mudanças, a avaliação de cenários e decisões sobre o ambiente marinho.

Infraestrutura digital e sistemas de observação são, portanto, complementares. Dados consistentes alimentam modelos e análises; sistemas integrados ampliam o acesso e o uso dessas informações por instituições e setores da sociedade.Ambos, portanto, compõem um ecossistema robusto e eficiente, consolidando-se como um ativo estratégico indispensável para orientar investimentos, mitigar riscos e assegurar o desenvolvimento sustentável e a soberania do país.