Diretor-geral do INPO participa de debate sobre Economia Azul durante a Rio Ocean Week
Segen Estefen apresentou iniciativas voltadas à infraestrutura para pesquisa oceânica, dados e geração de energia renovável offshore
O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, participou, na última sexta-feira (18), de uma mesa de debates promovida pelo projeto Marétudo (UERJ), como parte da programação da Rio Ocean Week. Realizado no Museu Naval, no Rio de Janeiro, o encontro teve como tema “Desafios e Oportunidades da Economia Azul no Estado do Rio de Janeiro” e trouxe diferentes perspectivas sobre o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do oceano.
Durante o debate, Estefen apresentou projetos em desenvolvimento no INPO voltados ao fortalecimento da infraestrutura e da capacidade científica brasileira. Entre eles, o Sistema de Armazenamento e Disponibilização de Dados (SADD), plataforma que integrará, em um único local, múltiplos dados oceânicos e possibilitará a base para a criação, no futuro, de um Gêmeo Digital do Atlântico Sul.
Outro projeto exposto foi o Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica, que permitirá a manutenção e o desenvolvimento de equipamentos para pesquisa oceânica, contribuindo para ampliar a independência nacional e reduzir custos.
“Atualmente, o Brasil importa os instrumentos usados em pesquisas oceânicas. Queremos que parte deles possa ser fabricada e calibrada no país. Atualmente, precisam ser calibrados no exterior e chegam a demorar um ano nesse processo. É tarefa do nosso instituto criar as bases fundamentais para que a ciência oceânica brasileira possa prosperar”, afirmou.
Estefen também abordou os desafios da transição energética e o potencial do oceano para a geração de energia renovável a partir de ondas, marés, gradiente térmico e gradiente de salinidade. Segundo ele, o instituto está criando, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), um Centro de Energia Azul que prevê o desenvolvimento de quatro tecnologias para a produção de energia renovável offshore.
Coordenado pelo INPO, com a participação da Coppe-UFRJ, da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal de Pernambuco e da Fundação Getúlio Vargas, o projeto desenvolverá, ao longo de três anos, conversores para a criação de protótipos, com o objetivo de acelerar o processo entre a concepção de uma tecnologia e sua transformação em protótipo. “A transição energética precisa ser bem planejada e as fontes do oceano vão contribuir nesse processo”, destacou.
Também integraram a mesa o engenheiro Márcio Santa Rosa, da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ); o oceanógrafo José Martins, do Projeto Golfinho Rotador, de Fernando de Noronha; a professora e economista Erika Ribeiro, da Escola Naval; e o oceanógrafo Carlos Frederico Martins, da OceanPact. A mediação foi de Marcelo Sperle, professor da UERJ e membro da rede de pesquisadores do INPO.
Erika falou sobre o conceito de Economia Azul e seu desenvolvimento no país. Já Santa Rosa tratou dos programas em andamento e da responsabilidade de estruturação de uma economia azul no estado do Rio de Janeiro.
José Martins apresentou a experiência do Projeto Golfinho Rotador, criado em 1990, em Fernando de Noronha, que desenvolve ações voltadas à conservação do oceano e dos golfinhos. Carlos Martins falou sobre a atuação da empresa na área de economia azul. Na mediação, Sperle destacou a relação entre o oceano e a vida humana e a importância da economia do mar. “A nossa vida depende do oceano, que cobre mais de 70% da superfície da Terra e produz cerca de metade do oxigênio do planeta. A economia do mar precisa atuar de forma sustentável”.