Diretor-geral do INPO participa de painel da ONU sobre “Pontos de Não Retorno do clima e Direitos Humanos”
Segen Estefen reforçou o impacto da ultrapassagem desses limites críticos nas pessoas e comunidades
O diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Segen Estefen, participou, na manhã desta quarta-feira (12), da Reunião do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, realizada no Pavilhão da ONU Brasil, na COP 30. O encontro teve como tema central o debate sobre os “Pontos de Não Retorno” do clima – limites críticos que, ao serem ultrapassados, desencadeiam mudanças irreversíveis e em cascata no planeta – e seus impactos sobre as pessoas, as comunidades e os direitos humanos.
“Nós falamos aqui sobre a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), que é o grande sistema de correntes que leva a água quente para o hemisfério Norte e depois retorna como corrente submersa em temperatura fria. Esse sistema está mostrando algumas instabilidades e, se houver uma falha, pode afetar toda a população da Europa, das Américas e do Oeste da África. Temos que estudar isso com mais detalhes, usando os gêmeos digitais (Digital Twin) do oceano para entender melhor este fenômeno e acompanhá-lo”, afirmou Estefen.
A instabilidade da AMOC pode deflagrar um efeito dominó e comprometer os padrões globais de precipitação, causando, por exemplo, secas prolongadas em regiões tropicais, impactando diretamente a Amazônia e intensificando extremos climáticos em todo o planeta. Durante sua apresentação, Estefen lembrou o quanto a temática está relacionada às pesquisas desenvolvidas pela rede do INPO. Exemplificou que os estudos abrangem áreas como circulação oceânica em larga escala, biodiversidade marinha, oceano profundo, tecnologia e inovação, com foco em entender e mitigar os efeitos das mudanças climáticas sobre o sistema oceânico global.

Entre os projetos apresentados, Estefen destacou o desenvolvimento do “Gêmeo Digital do Atlântico Sul e Tropical”, uma plataforma de modelagem avançada que combina dados em tempo real, inteligência artificial e simulações numéricas para aprimorar o monitoramento e a previsão do comportamento oceânico. O sistema visa apoiar a tomada de decisões em políticas de adaptação climática, gestão costeira e planejamento da economia azul. Na palestra, ele reforçou o quanto o Digital Twin do oceano pode contribuir para acompanhar a evolução de sistemas oceânicos de larga escala, em particular a AMOC. Sobre as possibilidades da tecnologia, ele reforçou:
“Esses dados são importantes também para áreas como gestão de riscos costeiros e marinhos, melhoria na previsão da circulação do Atlântico Sul, ondas de calor marinhas e nível do mar, pesca e economia azul”, disse.
O diretor-geral do INPO também ressaltou que o oceano ainda é frequentemente deixado em segundo plano nas negociações climáticas, apesar de seu papel essencial na regulação do clima e na absorção de calor e carbono.
O evento contou também com a participação de Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo; Kathy Jetñil-Kijiner, do governo das Ilhas Marshall; Barbara Ramos Pinheiro, da Sociedade Internacional de Recifes de Coral; Victoria Qutuuq Buschman, do Conselho Inuit Circumpolar; David Lapola, da Universidade de Campinas; e Yblin Yblin Román Escobar, consultor de políticas na Coalizão SIRGE.