Diretora do INPO acompanha debates do Fórum de Academias de Ciências dos BRICS
Declaração conjunta com recomendações da comunidade científica será enviada aos chefes de Estado do bloco
A Diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, acompanhou os debates do Fórum de Academias de Ciências dos BRICS, realizado terça (24) e quarta-feira (25) no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro. Organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), o encontro reuniu representantes das academias nacionais de ciências para discutir temas estratégicos em pesquisa e inovação. A declaração conjunta será enviada aos chefes de Estado dos BRICS para embasar o comunicado final da Cúpula de 2025.

Ao longo dos dois dias, os participantes acompanharam os debates e três conferências. Entre elas, a do professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Odir Dellagostin, que apresentou dados sobre a cooperação científica entre os países do BRICS e o crescimento da produção de artigos publicados entre os membros e parceiros do bloco.
“O Fórum de Academias de Ciências dos BRICS ressaltou a excelência dos trabalhos desenvolvidos pelos países membros do bloco. A palestra do professor Odir Dellagostin mostrou o aumento expressivo no número de publicações científicas e, sobretudo, das citações aos artigos sendo produzidos, mundo afora. Precisamos ampliar ainda mais essa tendência ”, destacou Janice.
O evento contou ainda com as conferências da presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Denise Pires de Carvalho, que falou do papel da educação no Sul Global, e do co-presidente do Painel Científico para a Amazônia, Carlos Nobre, sobre emergência climática.
“Carlos Nobre sempre evocou o papel dos oceanos no cenário das mudanças climáticas. Tive o privilégio de dividir com ele o sonho de criar o INPO, agora uma realidade. Os estudos sobre a relação oceano-clima são fundamentais para o conhecimento científico adquirido para a nossa sociedade e para os tomadores de decisão”, afirmou Janice.

A declaração conjunta do Fórum de Academias de Ciências dos BRICS defende o fortalecimento da cooperação científica entre os países, propõe a criação de uma Rede de Soluções Climáticas com foco em tecnologias para transição energética, o investimento em programas conjuntos em inteligência artificial, entre outros pontos. Fazem parte do bloco Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Também contribuíram com as discussões os países parceiros do BRICS: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. Confira aqui o documento.
A declaração do Fórum aponta ainda a necessidade de promover o desenvolvimento de jovens talentos por meio de programas conjuntos de doutorado e programas de visitas acadêmicas. “No mundo multilateral em que vivemos, é fundamental o diálogo intergeracional com os nossos jovens e, sobretudo, incentivar e incrementar esse intercâmbio de vivências e culturas”, destacou Janice.
“Nosso compromisso é contribuir, de forma articulada, com propostas fundamentadas no conhecimento, na solidariedade e na valorização da diversidade cultural, biológica e social — elementos essenciais para enfrentar as desigualdades persistentes e às emergências ambientais que incidem de forma desproporcional sobre os países do Sul Global”, afirmou Helena Nader, presidente da ABC.
A diretora do INPO reforçou a necessidade de ampliar a pesquisa sobre os oceanos e colocou o instituto à disposição para contribuir. “Estamos na Década dos Oceanos e a realidade nos mostra que a pesquisa sobre os oceanos ainda precisa ser estimulada no âmbito do BRICS. O INPO está pronto para colaborar com a Academia Brasileira de Ciências e com a presidente Helena Nader nesse sentido”, concluiu Janice.
O Fórum de Academias de Ciências dos BRICS de 2025 ocorre no contexto da presidência rotativa do Brasil no bloco. Organizado pelo ABC, o evento teve patrocínio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Governo Federal, além de apoio da Capes.