Encontro internacional em Santos coloca o oceano no centro de discussões para o futuro
destaque-4Evento representa a oportunidade de conectar ciência, educação, comunicação, cultura, empreendedorismo e políticas públicas em torno do oceano
De 23 a 29 de agosto, a cidade de Santos (SP) será palco do Festival da Cultura Oceânica 2025, um dos maiores eventos internacionais dedicados à relação entre a sociedade e o oceano. Mais de 100 palestrantes de mais de 30 países estão confirmados e a expectativa é de reunir mais de 10 mil pessoas em uma semana de atividades abertas e integradoras.
O Festival acontece paralelamente à Escola Fapesp de Ciência Avançada em Cultura Oceânica (SPSAS – Ocean Literacy), que reunirá, entre 19 de agosto e 1º de setembro, cerca de 100 jovens profissionais de 40 países em uma imersão de palestras, oficinas, debates e saídas de campo. Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenada pelo Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), a Escola faz parte de iniciativas ligadas à Década do Oceano da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo fortalecer a relação entre sociedade e oceano, promovendo soluções sustentáveis e a conservação da biodiversidade marinha.
O professor da Unifesp e pesquisador da rede do INPO, Ronaldo Christofoletti, é o responsável e um dos coordenadores do programa. Ele também participa da organização do Festival, por meio do programa Maré de Ciência – programa de extensão da Universidade Federal de São Paulo coordenado por ele.
Inspirado nesse movimento internacional, o Festival da Cultura Oceânica surge como a expansão das discussões da Escola abertas ao público, com tradução simultânea e participação de diferentes setores da sociedade. É a oportunidade de conectar ciência, educação, comunicação, cultura, empreendedorismo e políticas públicas em torno do oceano.
O Festival da Cultura Oceânica 2025 oferece dezenas de workshops, debates, oficinas, atividades culturais e uma grande feira, integrando empreendedorismo, economia criativa e educação. A proposta é oferecer experiências personalizadas para que cada público desperte sua própria conexão com o oceano.
Esta é a 6ª edição do evento, que é sediado, desde 2019, na cidade do litoral paulista. Santos é reconhecida mundialmente como pioneira na temática, graças à Lei da Cultura Oceânica, considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a primeira legislação do mundo dedicada ao tema. Além de ser referência na gestão e na mobilização social em prol do mar, Santos se destaca pela qualidade de vida: está em 5º lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU.
A mobilização seguirá por todo o Brasil, em parceria com comunidades, universidades, governos e empresas de diferentes regiões.
Cultura oceânica
A cultura oceânica é o entendimento de como o oceano influencia a vida das pessoas, do clima ao alimento que consomem, e como suas ações impactam diretamente sua saúde. Promovê-la significa estimular uma consciência coletiva que reconheça o oceano como base para o bem-estar, prosperidade econômica e sustentabilidade planetária.
No Festival, essa consciência se traduz em um movimento de conexão. Educadores, jovens, pesquisadores, empresários, comunidades costeiras, gestores públicos e comunicadores se encontram para dialogar, compartilhar experiências e protagonizar novas soluções.
Ronaldo Christofoletti
O professor Ronaldo Christofoletti, da Unifesp, é referência internacional em Cultura Oceânica, atuando como co-presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco. Ele participou ativamente das discussões que resultaram na implementação do Currículo Azul no Brasil, marco histórico que fez do país o primeiro no mundo reconhecido pela Unesco a assumir o compromisso de incluir oficialmente a Cultura Oceânica no currículo escolar nacional, adaptado às realidades regionais e locais. Para Christofoletti, o Currículo Azul “nasce da escuta ativa e plural da sociedade brasileira” e visa formar cidadãos conscientes sobre a importância do oceano para a resiliência climática e o futuro sustentável do país.