Estudantes do CEFET conhecem tecnologias usadas na pesquisa em mar profundo
Atividade coordenada pelo INPO permite visita virtual ao R/V Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute
Estudantes do terceiro ano do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET), que cursam o ensino técnico em automação industrial, participaram, nesta sexta-feira (2), da atividade “Mergulho nas Águas Profundas do Atlântico Sul”. A iniciativa promove uma conexão ao vivo com a tripulação do navio de pesquisas oceânicas R/V Falkor (too), da Schmidt Ocean Institute (SOI) e permite aos alunos acompanhar de perto tecnologias e pesquisas voltadas à exploração do oceano profundo. A atividade é uma iniciativa do INPO, em parceria com o SOI e a Society for Underwater Technology (SUT), com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) e do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), ambos laboratórios da Coppe/UFRJ.
Durante o encontro, a turma conversou ao vivo com o pesquisador Alex Bastos, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e integrante da rede INPO, que apresentou o navio e explicou as pesquisas realizadas pela equipe. A embarcação encontra-se atualmente na Zona de Fratura de Romanche, no oceano Atlântico, uma região praticamente inexplorada e caracterizada pela presença de muitas correntes oceânicas.
“Vamos investigar, com uma equipe multidisciplinar, questões de relevo, geológicas e de biodiversidade. Ontem, capturamos diversas amostras, que vão para análise, e hoje estamos descendo o ROV (veículo operado remotamente) para uma profundidade de 3.500 metros”, detalhou.

Os estudantes que participam da atividade, que contará ainda com mais três encontros ao longo de outubro, têm a oportunidade de conhecer detalhes de um dos navios de pesquisa oceânica mais bem equipados do mundo, acompanhando as pesquisas em ação e obtendo informações sobre as tecnologias utilizadas para a pesquisa em mar profundo, como os AUVs (Autonomous Underwater Vehicles), equipamentos utilizados para mapear o fundo do oceano, e o ROV, que captura amostras para a análise de pesquisadores. Foram justamente estes equipamentos que mais encantaram a turma do CEFET.
“Tenho muito interesse em engenharia eletrônica e é legal ver que um dia posso fazer parte de tudo isso. Gostei principalmente de conhecer os ROVs”, afirmou a estudante Manuelle de Souza.

A diversidade de profissionais envolvidos nas pesquisas também chamou a atenção dos jovens. Os estudantes perguntaram a Alex Bastos sobre as diferentes áreas de atuação presentes no navio e comemoraram a participação de três brasileiros na equipe responsável pelo ROV SuBastian.
“Temos aqui no navio oceanógrafos, geólogos, geógrafos e biólogos. Mas não conseguiríamos fazer nada sem a atuação de engenheiros, especialistas em ciência da computação e todos os profissionais que desenvolvem os equipamentos. O conhecimento que estamos adquirindo ainda está totalmente conectado à robótica e à capacidade de captar os dados”, destacou o pesquisador.
A programação, que acontece nas dependências do Lamce, no Parque Tecnológico da UFRJ, conta também com a apresentação dos pesquisadores Carina Bock e Gerson Cunha, do Lamce, sobre modelagens numéricas desenvolvidas pelo laboratório. As ferramentas permitem compreender fenômenos naturais como correntes marítimas, ondas de calor e alterações de temperatura e salinidade.
Os alunos também conheceram o funcionamento dos ROVs e puderam montar uma versão miniatura do equipamento, sob a supervisão de Alessandro Jacoud, professor da Coppe/UFRJ e coordenador do LEAD. Depois da montagem, o equipamento foi testado em uma piscina. A visita terminou com uma demonstração de drones de diferentes tamanhos, utilizados para monitorar vazamentos de óleo no oceano, observar cardumes e identificar lixo.
“Gostei muito de conhecer os veículos autônomos e operados remotamente. Fiquei interessado em seguir esse tipo de atividade profissional no futuro. Dificilmente, eu teria contato com este tipo de conhecimento se não tivesse participado desta visita”, disse o estudante Miguel Gaspar.
Os estudantes também podem acompanhar remotamente as pesquisas realizadas a bordo do R/V Falkor (too) por meio do canal da Schmidt Ocean Institute no YouTube, que transmite ao vivo a atuação do ROV, incluindo a coleta de amostras de seres e formações geológicas, e a possibilidade de interagir com os pesquisadores pelo chat.

Para o diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, a atividade pode contribuir para aproximar os jovens da ciência oceânica e mostrar a diversidade de carreiras relacionadas ao mar. “Esperamos que os estudantes se interessem em fazer parte da ciência oceânica, que conta com uma gama muito grande de profissionais, do direito à engenharia. Para tudo o que eles quiserem fazer, há a possibilidade de trabalhar com o oceano. Espero que visitas como esta sejam inspiradoras”.
“Foi uma boa experiência e fomos muito bem recebidos. Eu já pensava em trabalhar com automação e computação. Mas, aqui, fiquei sabendo que é possível também relacionar estas atividades com o oceano”, contou o aluno Fabio Peixoto.