Estudo aponta impacto e rotas globais do tráfico de cavalos-marinhos
Um estudo publicado na revista Conservation Biology intitulado “Using online reports of seahorse seizures to track their illegal trade” alerta para o registro crescente de tráfico de cavalos-marinhos. Esses animais, altamente valorizados na medicina tradicional chinesa e em mercados de bibelots, são traficados de forma clandestina, apesar de serem protegidos pela Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES).
O comércio ilegal de vida selvagem representa uma ameaça à biodiversidade global, com um valor anual estimado em até US$23 bilhões. A pesquisa sobre o contrabando de cavalos-marinhos se baseou em 297 registros de apreensões entre janeiro de 2010 e abril de 2021, sendo apenas nove casos em que os indivíduos da espécie foram resgatados vivos. O confisco de cavalos-marinhos secos lidera a lista, com cerca de cinco milhões de exemplares, com um valor estimado de mais de US$21 milhões. O tráfico desses animais foi identificado em 62 países, sendo a África, Ásia e América Latina as principais regiões de origem, e a China o principal país de destino. A maioria das apreensões ocorre nos destinos finais ou em trânsito, revelando lacunas na fiscalização nos países de origem.
Segundo os pesquisadores, a identificação das espécies raramente é registrada nas fichas de apreensão, o que dificulta a identificação de rotas de comércio complexas e ações de fiscalização. Porém, a partir dos dados coletados, o estudo constatou que as espécies mais traficadas são Hippocampus spinosissimus, Hippocampus ingens, Hippocampus guttulatus, Hippocampus kelloggi e Hippocampus trimaculatus.
A conclusão deste estudo destaca a necessidade de fortalecer a fiscalização nos países de origem e aumentar a percepção de riscos associados ao contrabando de cavalos-marinhos. Para uma compreensão mais completa do comércio ilegal de vida selvagem, é necessário combinar múltiplas fontes de dados de apreensão com estudos de campo, que podem fornecer informações importantes sobre as atividades.
Saiba mais em: https://conbio.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cobi.70047