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Estudo com algas geneticamente modificadas visa reduzir poluição do oceano por microplásticos

17 DE MARçO, 2026
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Uma pesquisa baseada no uso de algas geneticamente modificadas pode abrir uma nova frente no combate à poluição do oceano por microplásticos. A revista científica Nature Communications publicou recentemente um artigo (pode ser acessado aqui) que revela uma cepa inovadora capaz de capturar e remover partículas microscópicas de ambientes aquáticos contaminados. O estudo, que ainda está em fase inicial, é liderado por Susie Dai, da University of Missouri, nos Estados Unidos.

Visando enfrentar o problema do microplástico, a equipe de pesquisadores utilizou engenharia genética para criar um novo tipo de alga, capaz de produzir limoneno, um óleo natural volátil presente em frutas cítricas, como a laranja. Esse composto altera a superfície celular da alga, fazendo com que fique repelente à água. Como os microplásticos também possuem essa característica, ocorre uma atração física entre ambos quando estão no mesmo ambiente aquático. Ao se encontrarem, algas e microplásticos se aglomeram, formando partículas maiores e mais pesadas, que afundam, criando uma camada sólida de biomassa no fundo do mar. Desta forma, pode ser facilmente coletada e removida.

Professora do College of Engineering e pesquisadora principal do Bond Life Sciences Center, Susie desenvolveu uma proposta que combina descontaminação ambiental e reaproveitamento de resíduos. Isso porque o objetivo é que os microplásticos coletados possam futuramente ser utilizados na produção de bioplásticos, criando um ciclo mais sustentável para esse tipo de material.

Entendendo a pesquisa

Segundo a pesquisadora Gleyci Moser, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e integrante da rede de pesquisadores do INPO, algas geneticamente modificadas são organismos aquáticos, como microalgas ou cianobactérias, cujo material genético foi alterado em laboratório para que adquira novas capacidades. “No caso deste estudo, a ideia é produzir um composto químico específico que não é normalmente sintetizado por aquelas algas”, diz.

Gleyci relata que, durante a pesquisa, foram introduzidos no genoma da alga os genes responsáveis pela produção de limoneno. “Estes permitem que a alga sintetize o composto enquanto cresce na água, o que modifica sua superfície celular e a torna hidrofóbica”.

O trabalho envolveu modificações genéticas para induzir a produção do composto, cultivo das algas em laboratório para testar seu desempenho, ensaios de agregação e sedimentação para verificar a eficiência na captura de microplásticos, bem como avaliações sobre o crescimento em águas residuais e a interação com os poluentes. “Além disso, essas algas crescem em águas residuais usando os nutrientes disponíveis, ajudando simultaneamente a limpar a água de nutrientes em excesso, o que acrescenta um benefício adicional ao processo”, acrescenta a pesquisadora brasileira.

Os microplásticos estão amplamente disseminados no meio ambiente. São encontrados no oceano, em lagoas, lagos, rios, águas residuais e até nos peixes consumidos pela população. Por serem extremamente pequenos, conseguem atravessar os sistemas convencionais de tratamento de esgoto.