Exposição ‘Terra-Mar’, coordenada por Flávia Fredou, será destaque no Aquário de Montpellier, na França
Projeto foi idealizado pelo grupo de pesquisa TAPIOCA, que reúne cientistas do Brasil e da França
A exposição “Terra-Mar” foi inaugurada nesta terça-feira (17) no Aquário de Montpellier, na França. A iniciativa é parte do projeto TAPIOCA (Tropical Atlantic Interdisciplinary laboratory on physical, biogeochemical, ecological and human dynamics), uma cooperação entre instituições científicas brasileiras e francesas. A exibição é coordenada pela professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Flávia Fredou e pelo professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo – membros da rede do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO); e por Arnaud Bertrand do Institut de la Recherche pour le Développement (IRD).
“O objetivo da exposição é tornar acessível ao público geral o conhecimento científico sobre os oceanos, seus ambientes e os impactos que vêm sofrendo”, explica Flávia, que também é diretora científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe).
Com salas que representam diferentes zonas oceânicas, a exposição apresenta conteúdos sobre biodiversidade, mudanças climáticas e métodos de pesquisa científica. Cada módulo percorre os ambientes marinhos desde os estuários até o mar profundo, com materiais visuais, vídeos, obras de arte, exemplares marinhos em 3D e painéis informativos.
“A sequência da visita simula um mergulho progressivo. A ideia é mostrar a importância de cada ambiente e como podemos contribuir para a sua preservação. A gente criou a exposição porque sentiu a necessidade de contar nossa história para além da academia. Trabalhamos com escolas, pescadores e comunidades costeiras. Nosso público é a sociedade”, afirma.
A exposição integra a programação do Saison Croisée (Ano Cruzado, em tradução literal) entre Brasil e França e é parte das ações do “Ano do Mar” na França.
A versão brasileira está prevista para ser apresentada na Torre Malakoff, em Recife, em outubro de 2025, e contará com montagem completa e ações educativas voltadas a escolas públicas. “Na Torre Malakoff vamos ter liberdade para montar a exposição do zero e oferecer oficinas com monitores, pensando principalmente nas crianças que nunca viram o mar”, conta Flávia.
A pesquisadora destaca que a exposição será itinerante. Entre os destinos pretendidos estão o interior de Pernambuco e o Rio de Janeiro. “Queremos alcançar comunidades ribeirinhas, por exemplo. O conteúdo está pronto, precisamos agora de estrutura e apoio para expandir”, destaca.
Projeto Tapioca
O laboratório TAPIOCA é um consórcio internacional coordenado por pesquisadores da UFRPE, UFPE e do IRD (Institut de Recherche pour le Développement), com atuação interdisciplinar nas áreas de oceanografia física, química, geológica e biológica. O grupo conta com mais de 150 integrantes e tem forte atuação em formação de jovens cientistas e extensão universitária.
Flávia tem formação em engenharia de pesca e trajetória voltada à sustentabilidade dos recursos marinhos. Realizou pós-doutorado na França e participou da construção da parceria que deu origem ao projeto TAPIOCA. “Durante muito tempo, os oceanos foram invisíveis. Mas eles são o maior sequestrador de carbono do planeta, regulam o clima e afetam diretamente nossa saúde e alimentação.”
Chegar até as crianças e jovens brasileiros é um dos objetivos da pesquisadora. “É difícil proteger o que não se conhece. Por isso queremos despertar esse olhar nas pessoas — e principalmente nas crianças.”
A exposição Terra-Mar segue em cartaz na França até 30 de setembro de 2025. Mais informações o site: https://tapioca.ird.fr/terra-mar/