Fundo do Oceano ou Superfície da Lua?
A paisagem desolada, a escuridão perpétua e o status de território quase inexplorado fazem da Fossa das Marianas um ambiente tão estranho e hostil quanto a própria superfície lunar. Um artigo da National Geographic destaca o local como o ponto mais profundo dos oceanos, com quase 11 mil metros, segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), representando uma fronteira de exploração tão desafiadora quanto o espaço. A fossa é um ambiente de extremos: a pressão é mil vezes maior que a da superfície, a luz solar é inexistente e as temperaturas são próximas de zero — condições que exigem tecnologia de ponta para qualquer tipo de visitação.
A comparação se aprofunda quando se considera o histórico de exploração. Enquanto 12 astronautas já caminharam na Lua, apenas um punhado de pessoas desceu até a Challenger Deep, o ponto mais fundo da fossa. O cineasta James Cameron — criador dos filmes Titanic e Avatar — participou da primeira exploração científica tripulada até o ponto mais profundo da fossa. Ele descreveu o leito oceânico como “uma planície muito macia, quase gelatinosa”. Cameron mergulhou até alcançar 10.898 metros de profundidade e contou à National Geographic que não viu “nenhum peixe ou qualquer outro ser vivo com mais de 2,5 centímetros” durante todo o percurso.
Apesar das semelhanças na desolação e no desafio exploratório, a Fossa das Marianas guarda uma diferença fundamental da Lua: a presença de vida. O fundo do oceano abriga ecossistemas únicos, com organismos que sobrevivem da energia química de fontes hidrotermais, ao invés da luz solar. Porém, já se sabe que, apesar de ser o lugar mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas já está contaminada com microplásticos — segundo informações da US National Science Foundation.