II Seminário sobre Monitoramento de Microplásticos debate desafios globais para o oceano
oceanoSociedadeEvento reunirá especialistas de universidades brasileiras e internacionais para discutir os impactos dos microplásticos e avanços no monitoramento ambiental
Invisíveis para a maioria das pessoas, os microplásticos já estão presentes em praticamente todos os ambientes marinhos do planeta. Essas partículas de plástico, com menos de cinco milímetros de tamanho, são resultado da fragmentação de resíduos maiores e, muitas vezes, produzidas para uso industrial ou comercial.
A dimensão do problema é global. Estudos publicados na Frontier Marine Science estimam que cerca de 14 milhões de toneladas de microplásticos estejam acumuladas no fundo do mar. Essas partículas afetam a biodiversidade marinha, alteram processos ecológicos e podem alcançar a cadeia alimentar humana por meio do consumo de pescados e frutos do mar. Além de persistirem por longos períodos no ambiente, podem carregar substâncias químicas potencialmente tóxicas.
Diante desse cenário, o II Seminário sobre Monitoramento de Microplásticos será realizado dia 22 de junho, no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP). A abertura e a moderação do seminário serão conduzidas por Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP, coordenador da Cátedra UNESCO para Sustentabilidade dos Oceanos – que organiza o seminário – e pesquisador da rede do INPO.
“O seminário surge no momento em que o Brasil precisa estruturar uma estratégia consistente e duradoura de monitoramento dos microplásticos em diversos comportamentos, compartimentos ambientais, com intuito de entender a dimensão da contaminação e caminhar para a estruturação de regulamentações que efetivamente ajudem a combater as fontes desse problema no ambiente marinho, uma vez que a sua retirada desse ambiente é praticamente impossível”, explica Turra.
O evento reunirá especialistas brasileiros e internacionais para discutir os desafios científicos e globais para o monitoramento de microplásticos, contaminantes no Brasil e as aplicações práticas e o envolvimento de diferentes setores na construção de soluções para a poluição plástica.
Entre os painelistas internacionais estão Amy Lusher, do Norwegian Institute for Water Research (NIVA), na Noruega; Cherie Ann Motti, do Australian Institute of Marine Science (AIMS), na Austrália; e Marc Metian, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O evento também contará com a participação do pesquisador Walter Ruggeri Waldman, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de representantes de órgãos governamentais como os Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); da Pesca e Aquicultura (MPA); e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), bem como de representantes da indústria, como a Petrobras e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
Protagonismo brasileiro no monitoramento e soluções para a poluição plástica
O encontro dá continuidade às discussões iniciadas na primeira edição do evento, realizada em 2025, e busca fortalecer a colaboração entre ciência, governo, setor produtivo e sociedade para enfrentar um dos principais desafios ambientais da atualidade.
As discussões do seminário dialogam diretamente com pesquisas desenvolvidas pela Cátedra UNESCO para Sustentabilidade dos Oceanos e pelo Centro de Referência para a Quantificação e Caracterização do Lixo Marinho (CeLMar), inaugurado durante a primeira edição do evento. O laboratório multiusuário apoia estudos sobre a presença de microplásticos no ambiente marinho, na biodiversidade e em alimentos de origem marinha, além de oferecer infraestrutura especializada para pesquisadores de todo o país.
As iniciativas em andamento contemplam projetos que investigam os riscos dos microplásticos para a biodiversidade e a segurança alimentar, analisando desde organismos marinhos até produtos destinados ao consumo humano e animal. Essas pesquisas são desenvolvidas em parceria com instituições brasileiras e internacionais, incluindo o AIMS, da Austrália, e o NIVA, da Noruega, e contam com tecnologia avançada para identificação e caracterização de microplásticos em amostras ambientais.
Serviço:
II Seminário sobre Monitoramento de Microplásticos
Data: 22 de junho de 2026
Local: Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP)
Evento presencial com transmissão ao vivo pelo YouTube em: https://www.youtube.com/@catedraunescooceano
Inscrições para participação presencial e remota: https://catedraoceano.iea.usp.br/celmar/