INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

INPO promove debates na COP30

Yasuyuki Ikegami (Universidade de Saga), Andrea Latgé (MCTI), Amisha Patel (Global Offshore Wind Alliance) e Segen Estefen (INPO)
14 DE NOVEMBRO, 2025
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As atividades contaram com a participação dos diretores Segen Estefen,  Andrei Polejack e Janice Trotte-Duhá

O oceano esteve no centro dos debates que ocorreram nesta sexta-feira (14) na Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, espaço oficial de divulgação científica da COP30. Três painéis, organizados pelo INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas), trouxeram para o palco temas como energias renováveis, economia azul, mudança climática e Oceans20 no âmbito do G20 Social. As discussões podem ser acessadas no canal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no YouTube. 

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, abriu a sessão do período da tarde com o painel Energias renováveis a partir do oceano. Ele destacou o avanço das iniciativas brasileiras no campo das energias renováveis offshore e comemorou o engajamento do país na busca por uma matriz limpa. “O Brasil hoje tem 47,4% de seu consumo de energia advindo de fontes renováveis, enquanto o percentual do mundo está em 14,3%. Estamos em uma ótima posição”, defendeu, citando dados que levam em conta as tecnologias offshore e onshore.

Em sua fala, Estefen apresentou o projeto do Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul, recém-aprovado em edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinará R$ 15 milhões no desenvolvimento de quatro tecnologias para produção de energia renovável offshore. A iniciativa prevê a criação de equipamentos para conversão de energia das ondas, correntes de maré, gradiente térmico do oceano (OTEC) e produção de hidrogênio verde a partir de fontes renováveis offshore. O início das atividades está previsto para 2026, e contará com parceria de instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fundação Getulio Vargas (FGV). “Este projeto vai diminuir a distância do conceito até o protótipo”, explicou o diretor.

Além de Estefen – referência nas pesquisas relacionadas às energias renováveis no Brasil – o painel contou também com a participação de grandes especialistas na temática, como Yasuyuki Ikegami, da Universidade de Saga, no Japão, que apresentou um panorama sobre o potencial do uso do gradiente térmico do oceano (OTEC) no mundo, destacando o potencial de Fernando de Noronha, no Brasil; e Amisha Patel, da Global Offshore Wind Alliance, que tratou da energia eólica offshore. Para Patel, a eólica offshore é uma poderosa fonte de energia limpa disponível nos dias de hoje, cujo valor tem sido cada vez mais reconhecido por governos no mundo. 

Flávio Andrade (OceanPact), Nabil Kadri (BNDES), Andrei Polejack (INPO). No telão, Michelle Voyer (esq.), da Universidade de Wollongong, e Claire Jolly, chefe da divisão de Economia Oceânica e Economia Espacial (OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)

A programação da tarde seguiu com a mesa-redonda Economia Azul e Mudanças Climáticas, moderada pelo diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack. O debate reuniu Flávio Andrade, CEO da OceanPact; Claire Jolly, chefe da divisão de Economia Oceânica e Economia Espacial (OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico); Michelle Voyer, da Universidade de Wollongong; e Nabil Kadri, superintendente da Divisão de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na conversa, foram abordadas diferentes perspectivas sobre o que significa construir uma economia azul em um cenário de rápidas mudanças climáticas. 

Durante o debate, Polejack destacou a urgência de integração para enfrentar os desafios climáticos. “Todos vocês trabalham, de alguma forma, com a economia azul e, ao mesmo tempo, estamos desenvolvendo soluções similares para o mesmo problema. Combinar esses conhecimentos é um dos resultados mais importantes que temos que atingir quando falamos de mudanças climáticas. Não temos tempo”, afirmou Polejack.

A mesa Oceans20 no âmbito do G20 Social, mediada pela diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, reuniu Tammaryn Morris, Ocean and Polar Coordinator (SAEON); Kilaparti Hamakrishna, do Woods Hole Oceanographic Institution (WHO); e o pesquisador Alexander Turra, da Universidade de São Paulo e integrante da rede do INPO. As discussões buscaram integrar os resultados do Ocean20, da COP30 e de outros processos multilaterais em andamento, estabelecendo as conexões entre o G20 Social e as ações globais em prol do oceano. 

Kilaparti Hamakrishna(WHO), Janice Trotte-Duhá (INPO), Alexander Turra (USP) e, no telão, Tammaryn Morris, (SAEON)

Janice ressaltou a importância da disseminação da ciência oceânica. “Estamos no processo de democratização da ciência, mostrando a importância do mar. É essencial converter o conhecimento científico em benefícios sociais e esta é também uma das metas do INPO”, afirmou a diretora. Já Alexander Turra reforçou a importância do oceano estar no centro das discussões políticas sobre meio ambiente. “Estou muito orgulhoso que esta é a COP do oceano”, declarou.

A última mesa da tarde, organizada pelo MCTI, tratou da Ciência e Cultura Oceânica como agentes de transformação para a crise climática e contou representantes da rede de pesquisadores do INPO. O debate foi moderado por Leandro Pedron, diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, e reuniu Marinez Scherer, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro da rede INPO e enviada especial para o Oceano da COP30; Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante da rede do INPO; Mary Gasalla, do Instituto Oceanográfico da USP; Sérgio Monforte, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência ea Cultura (Unesco); e Thauan Santos, da Escola de Guerra Naval. 

Segen Estefen (INPO) e Marinez Scherer (UFSC)

“O oceano é o principal regulador climático do planeta. Se a gente vai falar sobre clima, a gente precisa falar de oceano”, defendeu Marinez Scherer. Os participantes ressaltaram ainda a necessidade de ampliar o entendimento público sobre a importância da cultura oceânica. No debate, Christofoletti enfatizou o papel dos indivíduos nas decisões que impactam o ambiente marinho. “Precisamos compreender o papel que cada pessoa desempenha, como cidadã ou cidadão, nas decisões que afetam o mar”.