Interdisciplinaridade foi uma das marcas da Escola de Verão no INPO
Último dia do curso contou com visitas às áreas técnicas do Lamce e do LabOceano
A multiplicidade nos estudos relacionados ao oceano foi uma das marcas da Escola de Verão realizada no INPO. Durante uma semana, estiveram presentes 27 pesquisadores em início de carreira (15 presenciais e 12 online), de 12 países, atuando em diferentes áreas e linhas de pesquisa. Foram apresentadas muitas técnicas de modelagem e análise de dados empregadas aos estudos relacionados à resiliência costeira. Nesta sexta-feira (12), último dia de aulas, o professor da UFRJ Luiz Paulo Assad resumiu a diversidade presente em todo o curso:
“Esta foi uma oportunidade muito bacana de entender que esse problema da resiliência costeira não é algo isolado. Só conseguiremos encontrar soluções sustentáveis integrando os conhecimentos oceanográficos e meteorológicos com os das ciências sociais, econômicas e de outras ciências ambientais. Só assim, estaremos preparados para o futuro climático que o nosso planeta e, principalmente, as regiões costeiras, vão enfrentar”, afirmou o professor, que conversou hoje com os participantes sobre derramamento de óleo, impactos e responsabilidades.
Para José Maurício Rojas, mestrando de matemática aplicada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a ideia de integração multidisciplinar não poderia ser mais empolgante. A participação no curso abriu novas perspectivas para sua atuação profissional. “Sou de outra área de conhecimento: a matemática. Minha perspectiva inicial era encontrar espaço para atuação de diferentes disciplinas e estou muito satisfeito e grato com tudo o que aprendi. Achei muito interessante ver os métodos matemáticos aplicados em estudos relacionados ao oceano e ver que há cientistas que precisam deles”, disse.

A programação do último dia contou com palestra do pesquisador do Centro de Resiliência de Estocolmo, Robert Blasiak, sobre a importância da saúde dos oceanos, e da veterinária Carla Campos, da Fiocruz, que ressaltou o conceito de One Health, uma abordagem integrada entre a saúde dos indivíduos, dos animais e do meio ambiente. Para Carla, as técnicas de modelagem desenvolvidas ao longo do curso são essenciais para a manutenção de um ecossistema saudável. “A modelagem oceânica contribui para o bem-estar do planeta ao prever eventos que possam prejudicar a saúde ambiental”, destacou.
Visita a laboratórios
Os 15 pesquisadores em início de carreira que participaram presencialmente da Escola de Verão também visitaram as áreas técnicas do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) e do Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano), ambos da Coppe/UFRJ. Entre outras atividades, o LabOceano realiza modelagem numérica de sistemas navais e oceânicos e conta com um simulador de manobras, utilizado para o treinamento da condução de navios, além de um tanque para experimentos em águas profundas, de 40 metros de comprimento, e que chega a até 25 metros de profundidade.

A programação do dia terminou com a palestra de Ana Vaz, analista técnica do INPO, sobre os efeitos dos derramamentos de óleo nos ecossistemas marinhos, costeiros, comunidades e biodiversidade.
“Essa foi uma semana muito enriquecedora. Uma oportunidade de aprender com quem tem mais tempo de carreira. E somos também essa geração que vai cuidar do que temos agora”, enfatizou Beatriz Fernandes, mestranda em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A Escola de Verão é uma iniciativa da All-Atlantic Ocean Research and Innovation Alliance (AAORIA), coordenada pelo projeto Okeano, da União Europeia, e implementada pelo INPO e CNPq, com apoio do Lamce, da Coppe/UFRJ.