INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Laboratório da UFRJ, parceiro do INPO, apresenta a estudantes o caminho do lixo que deságua na Baía de Guanabara

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27 DE AGOSTO, 2025
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Projeto usa tecnologia avançada para despertar estudantes sobre o impacto do descarte inapropriado no oceano 

Uma garrafinha plástica jogada despretensiosamente pela janela de um carro é levada pelo vento, esbarra nos pés dos transeuntes, até cair em um bueiro e ser despejada no mar – o mesmo mar no qual os cariocas se banham no fim de semana. Portanto, o lixo que você produz polui o oceano e volta para você em algum momento. É esta a mensagem que o projeto “Caminho do lixo” pretende transmitir, uma iniciativa do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe/UFRJ, parceiro do INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas). 

Desde 2023, o Lamce recebe estudantes da rede pública de ensino e de ONGs para mostrar, a partir de projeções, cálculos, imagens em 3D e observação in loco, o trajeto do lixo flutuante que polui a Baía de Guanabara. Na última terça-feira (26), foi a vez dos alunos do projeto Avante, de Niterói. 

“A ideia é promover uma educação ambiental que consiga atrair os estudantes. Trabalhamos com colégios próximos à Baía de Guanabara e simulamos o caminho percorrido pelo lixo, de perto da escola da criança até desaguar no mar”, explica o coordenador do laboratório, Luiz Landau.

Cerca de 500 crianças e jovens, com idades entre 7 e 17 anos, já participaram do projeto. Ao todo, já foram realizadas mais de 100 visitas ao Lamce, com alunos de 29 escolas públicas. Os colégios selecionados estão localizados próximo a rios que deságuam na Baía de Guanabara e os pesquisadores do laboratório demonstram, usando a ciência, através da matemática e da física, o percurso desse lixo. A intenção é criar uma narrativa que aproxime o conhecimento da realidade dos alunos, para que percebam o enorme impacto ambiental e social do descarte inapropriado. 

“É um desafio transmitir de forma simples informações complexas e sofisticadas. Durante a visita, recebemos os mais diferentes tipos de perguntas. Para nós, também é um aprendizado. Todo mundo ganha”, relata Carina Bock, pesquisadora responsável pelo projeto “Caminho do lixo”. Ela reforça que cada estudante que participa da programação é, também, um possível propagador do conteúdo. “Com certeza, impactamos muito mais gente”.

Além das demonstrações práticas, a iniciativa contempla visita a diferentes setores do laboratório, localizado no Parque Tecnológico da UFRJ, e termina com a observação da água da Baía, no entorno do Lamce, repleta de lixo flutuante. Além de promover a conscientização, o projeto vem encantando os estudantes, que têm a oportunidade de conhecer o trabalho de oceanógrafos, engenheiros e meteorologistas. Foi o caso de Anthony Machado, de 7 anos, que já avisou ao pai, que também acompanhou a visita, a intenção de cursar oceanografia. “Gostei de tudo o que vi. Menos do lixo, é claro”, reforçou o menino.