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Nadia Pinardi é destaque no segundo dia da Escola de Verão no INPO

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09 DE SETEMBRO, 2025
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Pesquisadora italiana é referência na área de resiliência costeira 

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. A frase, atribuída a Nelson Mandela, foi utilizada pela pesquisadora italiana Nadia Pinardi para abrir sua palestra, nesta terça-feira (9), na Escola de Verão, direcionada a pesquisadores em início de carreira e que acontece até o próximo dia 12, no INPO. Professora da Universidade de Bolonha e Diretora do UN Decade Collaborative Center for Coastal Resilience, Pinardi é uma referência na área de oceanografia operacional e nos estudos sobre resiliência costeira, temática-chave do curso. Além disso, é uma entusiasta do compartilhamento de conhecimento, ultrapassando as fronteiras entre os países e as barreiras geracionais.

“Eu realmente acredito que a educação vai transformar o mundo. Este curso é um exemplo, reúne jovens de diferentes países, analisando problemas e soluções comuns a todos. Porque por muito tempo acreditou-se que os problemas eram insolúveis e únicos. Aqui, usamos instrumentos e ferramentas para atingir soluções”, declarou.

Durante sua participação na Escola de Verão, Pinardi traçou um histórico das metodologias utilizadas para previsões meteorológicas e oceanográficas ao longo do tempo até a chegada da modelagem utilizada nos dias de hoje. Sua explanação culminou com a demonstração e experimentação da ferramenta SURF (Structured and Unstructures grid Relocatable ocean plataform for Forecasting). 

“Nos últimos anos, Nadia vem se dedicando ao desenvolvimento de uma plataforma computacional que possibilita a regionalização de cenários hidrodinâmicos em ambientes costeiros. Essa ferramenta (SURF) permite o conhecimento do estado oceânico em alta resolução espacial e temporal em ambientes costeiros, em qualquer região do planeta”, explicou o oceanógrafo e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Luiz Paulo Assad, membro da rede de pesquisadores do INPO, que acompanhou os debates promovidos pela pesquisadora.

Nas instalações do INPO, Nadia esteve próxima aos 15 jovens pesquisadores, de diferentes partes do mundo, selecionados para acompanhar presencialmente o curso. Mas a interação multidisciplinar entre alunos de diferentes nacionalidades é uma constante em sua atuação. Atualmente, ela trabalha com 12 pesquisadores brasileiros em sua equipe. A oceanógrafa Fernanda Stori, que acompanhou as apresentações no INPO, é um exemplo. 

“Acabei de chegar ao Brasil, depois de um período de um ano atuando no Center for Costal Resilience. É um centro colaborativo, que trabalha para gerar e agregar conhecimento sobre resiliência costeira”, comemora a experiência. 

Para a professora, a troca de conhecimento está entre os pilares do trabalho com o oceano. “É uma honra estar neste país tão importante para a oceanografia e localizado em uma parte fundamental do oceano. Finalmente a oceanografia está madura o suficiente para lidar com o desafio das áreas de encostas. Esperamos construir uma inteligência coletiva juntos”, destacou.

A Escola de Verão é uma iniciativa da All-Atlantic Ocean Research and Innovation Alliance (AAORIA), coordenada pelo projeto Okeano, da União Europeia, e implementada pelo INPO e CNPq, com apoio do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe/UFRJ.