INSTITUIÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

“O futuro do clima e do oceano estão inseparavelmente conectados”, destaca Segen Estefen

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, em sessão solene realizada pelo Senado Federal Crédito: “Sessão Especial - Dia Mundial dos Oceanos” por Agência Senado
09 DE JUNHO, 2026
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Diretor-geral do INPO participou de sessão no Senado em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos

“O oceano tem sido um aliado fundamental para o equilíbrio climático, mas está sob pressão. Os eventos extremos, o aumento da temperatura e a acidificação dos mares mostram que o futuro do clima e do oceano estão inseparavelmente conectados.” O alerta foi feito nesta segunda-feira (8) pelo diretor-geral do INPO, Segen Estefen, durante sessão solene realizada pelo Senado Federal em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho.

Estefen destacou também a necessidade de uma compreensão mais profunda do oceano e, para isso, defendeu investimentos em ciência e inovação tecnológica. Segundo ele, o desenvolvimento de um gêmeo digital do oceano e ferramentas como a modelagem computacional e a inteligência artificial permitirão ampliar a capacidade de monitoramento ambiental, avaliar riscos, antecipar cenários futuros e ajudar na tomada de decisões mais eficientes na gestão dos recursos marinhos. O diretor-geral ressaltou ainda a importância do oceano na transição energética para uma economia de baixo carbono.

Representando o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a secretária-executiva Anna Flávia de Senna Franco falou a respeito da relevância estratégica do oceano para o Brasil. “Essa data representa uma oportunidade para refletir sobre um dos principais patrimônios mundiais”, ressaltou.

Carina Costa de Oliveira, professora de Direito da Universidade de Brasília (UnB), chamou atenção para a necessidade de ampliação da cooperação internacional na proteção do oceano, enfatizando o Acordo BBNJ, considerado um dos principais avanços recentes da governança oceânica global, e a importância da implementação de compromissos internacionais. “Nenhum país consegue proteger o oceano sozinho. A poluição e as mudanças climáticas não respeitam fronteiras. Os tratados são fundamentais, mas dependem de implementação nacional e acompanhamento permanente”, afirmou.

A poluição por plástico também esteve na pauta. O diretor-geral da Oceana Brasil, Ademilson Zamboni, defendeu o fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas e destacou a necessidade de avanços na agenda de combate à poluição plástica. “O oceano precisa ocupar um lugar permanente na agenda brasileira. O Brasil reúne todas as condições para ser uma liderança global nessa área, mas ser líder exige ações concretas”, disse.

Pela primeira vez, o Congresso Nacional realizou uma sessão solene exclusivamente dedicada à agenda oceânica
Crédito: “Sessão Especial – Dia Mundial dos Oceanos” por Agência Senado

Relevância da agenda oceânica

Pela primeira vez, o Congresso Nacional realizou uma sessão solene exclusivamente dedicada à agenda oceânica. O encontro reuniu cientistas, juristas e representantes do governo federal e da sociedade civil para discutir a importância da conservação marinha. Ao longo da tarde, os participantes ressaltaram a urgência de ações concretas para preservar os ecossistemas marinhos e costeiros, considerados essenciais para a regulação do clima, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar.

Também participaram da sessão o pescador artesanal Carlos Alberto Pinto dos Santos; a secretária-executiva do Painel Mar, Carolina Cardoso; a velejadora e representante da organização Voz dos Oceanos, Heloisa Schurmann; e o contra-almirante Robledo de Lemos Costa e Sá, da Marinha do Brasil. A mesa foi mediada pelo senador Nelsinho Trad.

Ao longo do encontro, diferentes vozes convergiram para uma mesma mensagem: o oceano é essencial para a estabilidade climática, a economia e a manutenção da vida no planeta. A promoção da sessão solene demonstrou o fortalecimento da pauta oceânica nas discussões políticas.