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O que há no oceano que os olhos não veem

fitoplâncton; cor do oceano; Nódulos polimetálicos no fundo do Pacífico e pluma de sedimento gerada por veículo coletor, transportada pelas correntes oceânicas. Crédito: Imagem cortesia da expedição DeepCCZ / MIT News
11 DE AGOSTO, 2025
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A imensidão azul do oceano não é composta apenas de água. Além de sal, o mar carrega gases, nutrientes e bilhões de organismos que sustentam o clima e a vida na Terra. Invisível aos olhos, a água do mar guarda uma mistura complexa de substâncias, partículas e microrganismos que formam a base da vida no planeta. Trata-se de um sistema químico sofisticado, que regula o clima global, produz oxigênio e sustenta cadeias alimentares inteiras.

Floração de fitoplâncton ao largo da costa do Canadá. Ele é fundamental para a produção de oxigênio

A variedade de minerais existentes na água do mar

A água do mar contém, em média, 35 gramas de sais dissolvidos por litro, sendo o principal deles o cloreto de sódio. Mas essa composição varia conforme a região, influenciada por chuvas, evaporação, derretimento de geleiras e correntes oceânicas. Esses fatores determinam a salinidade da água, que, combinada com a temperatura, define a densidade do mar. E é justamente essa diferença de densidade que movimenta as correntes profundas, responsáveis por redistribuir calor ao redor do planeta.

Além dos sais mais conhecidos, como o cloreto de sódio, a água do mar é rica em uma variedade de minerais dissolvidos que desempenham papéis essenciais na manutenção da vida marinha e no equilíbrio químico do planeta. Entre eles estão o magnésio, o cálcio, o potássio, o enxofre, o bromo, o estrôncio e até traços de elementos como lítio, ouro, urânio e terras raras.

 Muitos desses minerais são absorvidos por organismos marinhos e incorporados em suas estruturas, como conchas e esqueletos. Outros participam de processos bioquímicos fundamentais para a cadeia alimentar oceânica. Estima-se que o oceano contenha bilhões de toneladas desses elementos, o que tem despertado interesse econômico, embora sua extração em larga escala levante sérias preocupações ambientais.

Nódulos polimetálicos no fundo do Pacífico e pluma de sedimento gerada por veículo coletor, transportada pelas correntes oceânicas.Crédito: Imagem cortesia da expedição DeepCCZ / MIT News

Metade do oxigênio da terra é produzido pelo oceano

E o oceano também é um grande produtor de oxigênio, gás fundamental para o planeta. É ele que permite a respiração de peixes e de bilhões de organismos microscópicos. Uma parte do oxigênio vem da atmosfera, mas uma fração significativa é produzida ali mesmo, por meio da fotossíntese realizada por microalgas conhecidas como fitoplâncton. Invisíveis a olho nu, essas microalgas flutuam na superfície e, juntas, respondem por uma parcela expressiva do oxigênio que respiramos. Estima-se que 50% do oxigênio do planeta são produzidos pelo fitoplâncton.

Foto: Christian Sardet / CNRS / Tara Oceans (Projeto Plankton Chronicles)

As microalgas também formam a base da cadeia alimentar marinha. Elas se alimentam de nutrientes dissolvidos na água, como nitrogênio, fósforo e ferro, que chegam ao mar por meio de rios, vulcões submarinos e das chamadas correntes de ressurgência, que são movimentos que trazem à tona águas profundas e ricas em nutrientes. Nessas regiões, surgem zonas de intensa biodiversidade, verdadeiros oásis de vida marinha.

Como o oceano absorve CO₂

Outro componente silencioso, mas fundamental, é o dióxido de carbono (CO₂). O oceano funciona como um imenso reservatório de carbono, absorvendo cerca de 25% de todo o CO₂ emitido pelas atividades humanas. Uma parte desse gás é usada pelo fitoplâncton na fotossíntese. Outra parte se dissolve, reage com a água e forma compostos que ajudam a regular a acidez dos mares. Esse processo natural atua como um freio no avanço do aquecimento global.

O problema é que, com o aumento das emissões, os oceanos estão ficando mais ácidos. Essa acidificação afeta diretamente organismos marinhos com estruturas calcárias, como corais e moluscos, e desequilibra toda a rede alimentar do mar. A mudança também compromete a capacidade do oceano de continuar capturando carbono em larga escala, o que pode acelerar os impactos das mudanças climáticas.

Com tantos elementos em jogo, entender a composição da água do mar é compreender como esse sistema vivo e interligado influencia diretamente a saúde do planeta. Em um tempo em que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais visíveis, mergulhar no que há por trás da cor azul do mar pode ser o primeiro passo para enxergar o oceano como ele realmente é e por que é tão importante cuidar dele.