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O último mergulho: INPO levou 150 estudantes a bordo do Falkor (too) em seis encontros virtuais

21 DE OUTUBRO, 2026
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Iniciativa com alunos de seis escolas públicas do Rio de Janeiro aproximou jovens da ciência oceânica e despertou vocações

Ao longo de seis encontros, 150 estudantes de seis escolas públicas do Rio de Janeiro mergulharam virtualmente nas águas profundas do Atlântico Sul, conversaram ao vivo com pesquisadores e conheceram tecnologias utilizadas na exploração oceânica. Encerrada nesta terça-feira (20), a atividade “Mergulho nas águas profundas do Atlântico Sul”, promovida pelo INPO, aproximou os jovens da pesquisa científica e abriu novas perspectivas de formação profissional.

“O que existe a quatro mil metros de profundidade no oceano?”, “Como os pesquisadores investigam regiões praticamente desconhecidas?” e “Quais tecnologias permitem explorar um ambiente tão distante da superfície?” foram algumas das perguntas respondidas pelos pesquisadores. Os alunos acompanharam o trabalho realizado a bordo do navio de pesquisas oceanográficas R/V Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute (SOI), durante uma expedição científica na Zona de Fratura de Romanche (no Atlântico Equatorial, entre o Brasil e a costa oeste da África), área praticamente desconhecida até então.

Realizados na sede do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE), da Coppe/UFRJ, os encontros combinaram conexões ao vivo com o navio e atividades que permitiram aos estudantes conhecer tecnologias e fenômenos relacionados ao oceano. A iniciativa foi realizada em parceria com o SOI e a Society for Underwater Technology (SUT), com apoio do LAMCE e do Laboratório de Controle e Automação, Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento (LEAD), também da Coppe/UFRJ.

“Nossa principal missão é traduzir o conhecimento científico para a comunidade como um todo. Os estudantes tiveram a oportunidade de ver algo que nós não tivemos: o que há embaixo das ondas. Além disso, estamos instigando a curiosidade e é isto o que move a ciência”, afirmou a diretora de Infraestrutura e Operações do INPO, Janice Trotte-Duhá, ao destacar o papel da experiência em despertar a curiosidade científica dos estudantes.

Seis encontros diferentes

Nenhuma sessão foi igual à outra. No último encontro, estudantes do ensino médio da Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, conversaram com os pós-doutorandos Tarcila Franco e Paulo Cetto, do Laboratório de Oceanografia Geológica (LaboGeo), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Os pesquisadores, que compõem a expedição The Gap, chefiada pelo pesquisador Angel Perez (UFES e rede INPO), apresentaram o navio, os laboratórios e os diferentes procedimentos realizados a bordo durante as investigações científicas.

Foi também possível presenciar o ROV (Veículo Operado Remotamente) em ação. O robô é utilizado para explorar o fundo do oceano e coletar amostras de organismos, água e sedimentos a cerca de quatro mil metros de profundidade. A equipe, que seguirá embarcada até o próximo dia 28, compartilhou com os estudantes algumas das experiências vividas durante a expedição.

“Estamos bem no meio de uma zona tectônica ativa e presenciamos um sismo de magnitude 6,9. Como é uma região muito profunda, que chega a sete mil metros de profundidade, sentimos apenas a estrutura do navio vibrar. Estamos realizando mergulhos com o ROV e avistando muitos corais, esponjas e peixes de diferentes formas”, contou Tarcila, mostrando para a turma um coral petrificado de cerca de cinco milhões de anos retirado do fundo do oceano.

Robôs e novas possibilidades

A aproximação com as tecnologias utilizadas na pesquisa oceânica também marcou os seis encontros. Com o apoio do LEAD, os estudantes participaram de atividades práticas com um drone e um mini-ROV, conhecendo de perto equipamentos empregados nas investigações. Para o professor Alessandro Jacoud, da Coppe/UFRJ e coordenador do LEAD, a iniciativa proporcionou uma experiência enriquecedora.

“Atividades como esta alimentam esses alunos do ensino médio, porque eles podem ver que existe possibilidade de ter acesso a esse universo da pesquisa oceânica de ponta. Fiquei muito feliz em mostrar este conhecimento para eles e abrir portas”, disse.

Os estudantes conheceram ROVs desenvolvidos no Brasil e robôs utilizados na pesquisa oceânica

Os encontros abordaram ainda as correntes marítimas e as conexões entre o oceano e o clima. De forma interativa, por meio de óculos 3D e telas holográficas, os estudantes puderam explorar esses fenômenos, com explicações dos pesquisadores Carina Bock e Gerson Cunha, do LAMCE.

“Foi muito enriquecedor para todos os envolvidos. A gente aprende muito passando conhecimento científico para um público que não está acostumado com este conteúdo. Temos a expectativa de que os que participaram ainda propaguem o que aprenderam aqui com outras pessoas”, declarou Carina.

Estudantes do ensino médio da Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, e Janice Trotte-Duhá (INPO)

Despertar o interesse dos jovens pela ciência e ampliar suas perspectivas de formação profissional estão entre os objetivos do projeto. Os alunos participaram com interesse e interagiram ao longo das atividades. Muitos demonstraram encantamento pelo oceano ao conhecer esse universo e esclarecer dúvidas sobre possibilidades de atuação profissional.

“Achei o encontro incrível. Eu tinha dúvidas se queria mesmo fazer oceanografia. Mas esta visita me deixou muito animado. Minha meta agora é ser cientista, trabalhar embarcado e vir para a UFRJ”, afirmou o estudante João Oliveira, de 19 anos, para quem a experiência trouxe mais segurança sobre o caminho que deseja seguir.