Pesquisadores observam pela primeira vez, em tempo real, formação de fundo oceânico
Pesquisadores registraram pela primeira vez, em tempo real, a formação de um novo trecho do fundo oceânico. O fenômeno ocorreu em uma dorsal oceânica, região onde as placas tectônicas se afastam e o magma do interior da Terra sobe, esfria e dá origem a uma nova camada de crosta. Publicado na revista Nature, o estudo oferece o primeiro registro direto desse processo e mostra como a deformação da crosta, a intrusão de magma, os terremotos e as erupções submarinas ocorrem de forma integrada durante esse tipo de evento.
Esse registro foi possível devido à instalação de uma rede de instrumentos no fundo do mar da Dorsal do Sudeste do Oceano Índico, região onde as placas tectônicas se afastam continuamente. Combinando sensores sísmicos, medições acústicas, sensores de pressão e mapeamentos do relevo submarino, foi possível acompanhar o evento à medida que ele acontecia. Até então, esse tipo de evento era conhecido principalmente por registros sísmicos, levantamentos geofísicos e observações realizadas antes ou depois de sua ocorrência.

Durante cerca de 16 dias, a intrusão de magma abriu fraturas na crosta e alimentou uma erupção submarina que formou nova crosta oceânica. Ao final do processo, aproximadamente 160 milhões de metros cúbicos de lava haviam sido expelidos no fundo do mar.
As observações também indicaram que uma parte da deformação do fundo oceânico aconteceu sem grandes terremotos, sugerindo que esse processo pode ser mais silencioso do que se imaginava. Em vez de depender apenas da atividade sísmica, o processo também foi impulsionado pelo deslocamento do magma e pela deformação gradual da crosta, o que ajuda a explicar como novas porções do fundo do mar são formadas.
Os pesquisadores destacam que esse tipo de observação direta pode melhorar a compreensão sobre a dinâmica das dorsais oceânicas, onde é gerada a maior parte da crosta oceânica do planeta. A expectativa é que novas redes de monitoramento permitam acompanhar outros eventos semelhantes e aprofundar o conhecimento sobre a evolução do fundo dos oceanos.