Poluição sonora ameaça comunicação e rota de espécies marinhas
A crescente poluição sonora causada pela navegação comercial representa uma ameaça à biodiversidade marinha. Atualmente, mais de 80% das mercadorias do mundo são transportadas pelo oceano. Com o aumento do comércio global, o ruído subaquático gerado por hélices, motores e vibrações afeta diretamente espécies, como baleias, golfinhos e os mais variados peixes. Essa poluição sonora, embora invisível, causa desorientação e prejudica a comunicação entre eles, atrapalhando as rotas migratórias que são essenciais para a sobrevivência das espécies marinhas, especialmente em áreas sensíveis, como as Ilhas Galápagos e os recifes de Tubbataha.
No Rio de Janeiro, a comunicação entre os golfinhos da Baía da Guanabara foi muito afetada pelo barulho produzido pelos seres humanos dentro e fora da água. Um estudo realizado em 2015 pela oceanógrafa Lis Bittencourt, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mostrou que os grupos de golfinhos que vivem na região precisaram adaptar a comunicação produzindo sons mais curtos, com mais repetições e numa frequência mais alta que o habitual, por causa do movimento de embarcações na Baía e do barulho produzido pela cidade do Rio.
Em resposta a essa crise, a Organização Marítima Internacional (OMI) atualizou diretrizes técnicas e lançou um Plano de Ação para reduzir o ruído irradiado subaquático. Entre as recomendações estão o uso de novas tecnologias para cascos e hélices, além da otimização de velocidades. Junto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ( PNUD ) e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), a OMI também lançou uma iniciativa chamada Parceria GloNoise, que busca minimizar o impacto acústico do transporte marítimo em países piloto, como Argentina e Índia, enquanto promove a cooperação internacional para desenvolver práticas sustentáveis.
Saiba mais em: https://news.un.org/en/story/2025/06/1164196
https://www.bdtd.uerj.br:8443/bitstream/1/13896/1/Dissertacao%20completa%20Lis%20Bittencourt.pdf