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Polvos gigantes eram os predadores do oceano há 100 milhões de anos

30 DE ABRIL, 2026
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Pesquisa desafia visão tradicional de que os maiores predadores eram vertebrados

Nem tudo é conversa de pescador. Os chamados “monstros marinhos” que povoaram o imaginário coletivo a partir da descrição de marinheiros podem estar associados a polvos de até 19 metros que circulavam pelo mar há 100 milhões de anos. Pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, publicada na Science e denominada “Earliest octopuses were giant top predators in Cretaceous oceans”, mostra evidências de que esses polvos gigantes dominavam o oceano quando os dinossauros ainda habitavam a Terra. 

De acordo com a pesquisa, esses animais mediam de 7 a 19 metros, incluindo corpo e os longos tentáculos. Mesmo na estimativa mais baixa do tamanho, o animal já seria enorme para os padrões atuais. Suas mandíbulas eram capazes de triturar conchas duras e esqueletos de grandes peixes e répteis marinhos que habitavam o oceano. Segundo os autores, esses polvos podem representar os maiores invertebrados descritos até o momento, rivalizando com répteis marinhos gigantes contemporâneos.

Imagem desenvolvida por Yohei Utsuki, Department of Earth and Planetary Sciences, Hokkaido University

A pesquisa desafia a visão tradicional de paleontólogos que acreditavam que os maiores predadores do oceano eram vertebrados, como peixes e répteis, enquanto invertebrados como polvos e lulas ocupavam papéis secundários. Equipados com braços fortes para capturar presas e mandíbulas semelhantes a bicos, os polvos gigantes eram predadores poderosos capazes de triturar conchas e ossos de outros animais.

Segundo os pesquisadores, os predadores de topo impulsionam mudanças na estrutura dos ecossistemas. “Eles exercem fortes efeitos de cima para baixo sobre a biodiversidade e as estruturas dos ecossistemas. No artigo publicado na Science, os autores descrevem os predadores de topo invertebrados dessa “era dos vertebrados” como os primeiros polvos com nadadeiras (Cirrata) de sedimentos do Cretáceo Superior (de ~100 a 72 milhões de anos atrás), identificados com base em mandíbulas fossilizadas enormes e excepcionalmente bem preservadas e em seu desgaste”, o que sugere esmagamento dinâmico de esqueletos rígidos. 

Os vertebrados têm sido predadores de topo nos ecossistemas marinhos há mais de 370 milhões de anos. Eles evoluíram repetidamente para tamanhos corporais grandes, o que lhes permitiu desenvolver habilidades de caça avançadas por meio de força física, mobilidade e cognição aprimoradas alometricamente”.

Polvo-gigante-do-Pacífico é a maior espécie viva 

Atualmente, o polvo-gigante-do-Pacífico (Enteroctopus dofleini) é a maior espécie de polvo viva, podendo atingir tamanho superior a 5,5 metros. Há registros desses animais enfrentando tubarões com mais de um metro de comprimento.

Mas ainda há perguntas a serem respondidas. Ainda não se sabe com exatidão a forma desses animais, o tamanho de suas nadadeiras, a velocidade com que nadavam.

Por enquanto, os fósseis sinalizam a existência de um gigante que habitou o mar, equipado com mandíbulas capazes de triturar presas, braços poderosos e um cérebro que pode tê-lo ajudado a competir com outros grandes predadores. Os polvos são conhecidos até hoje por sua inteligência, estratégias de caça complexas e capacidade de superar desafios.