Por Dentro do INPO: trabalho em conjunto fortalece atuação da Diretoria de Infraestrutura e Operações
destaque-4Por Dentro do INPOSinergia. A palavra traduz o funcionamento das equipes que atuam nos bastidores do INPO, transformando projetos em iniciativas concretas. A série de matérias Por Dentro do INPO vai revelar os profissionais que integram as diretorias de Infraestrutura e Operações, Pesquisa e Inovação e Administração e Finanças. Profissionais de diferentes áreas de formação que compartilham conhecimentos e, com atuação conjunta, desenvolvem as ações estratégicas do Instituto.
Nesta edição, o destaque é a Diretoria de Infraestrutura e Operações, liderada pela diretora Janice Trotte-Duhá. Ao lado do coordenador Fernando José Monteiro, da analista de tecnologia Carla Lage e com a colaboração da oceanógrafa Anna Scofano, a diretoria conduz projetos que visam contribuir para ampliar a infraestrutura científica e tecnológica da pesquisa oceanográfica brasileira. Entre estes está o desenvolvimento de um Gêmeo Digital do Oceano Atlântico Sul, assim como o Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica.
A diversidade de experiências profissionais é um diferencial da equipe. Carla Lage reúne sólida trajetória na área de tecnologia da informação aplicada à gestão de dados. Já Fernando José construiu sua carreira na Marinha do Brasil, onde atuou por 31 anos em atividades de hidrografia, oceanografia operacional e gestão de programas nacionais de monitoramento oceânico, além de ter embarcado em importantes navios de pesquisa e de ter comandado o Navio Oceanográfico Antares, até hoje um ícone para as atividades de apoio à oceanografia no País.
“Embora cada profissional lidere determinadas iniciativas, todos acompanham o desenvolvimento dos projetos considerados estratégicos. A troca permanente de informações, por meio de reuniões e comunicação constante entre os integrantes da equipe, garante que o conhecimento seja compartilhado, dinâmica que se estende às demais diretorias do Instituto”, explica Fernando Monteiro.
Essa integração fica evidente em um dos principais projetos conduzidos atualmente pela Diretoria de Infraestrutura e Operações: a implantação da Infraestrutura de Dados Oceânicos do INPO. Com ampla experiência em tecnologia da informação, adquirida durante sua trajetória na Marinha do Brasil e, posteriormente, em uma startup nos Estados Unidos, além da sólida formação acadêmica na área, Carla Lage coordena o desenvolvimento da plataforma tecnológica que permitirá a integração de diferentes bases de dados oceânicos e costeiros. O projeto representa um dos principais eixos estruturantes do Instituto e é a base para o desenvolvimento do Gêmeo Digital do Atlântico Sul.
A expectativa é que, após a conclusão da fase piloto, a infraestrutura entre em etapa de testes junto à comunidade científica. Nessa fase, pesquisadores poderão avaliar aspectos como interoperabilidade, facilidade de acesso e organização das informações, contribuindo para o aprimoramento do sistema antes de sua disponibilização definitiva.
Outro grande projeto da diretoria é o Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica, iniciativa que pretende reduzir uma das principais limitações enfrentadas pela pesquisa oceanográfica brasileira: a necessidade de enviar equipamentos científicos ao exterior para calibração e manutenção. Atualmente, instrumentos fundamentais para pesquisas oceanográficas, como os equipamentos CTD — utilizados para medir condutividade, temperatura e profundidade da água — permanecem, muitas vezes, fora de operação por meses, já que precisam ser encaminhados para fora do Brasil para calibração.
“O grande divisor de águas da Diretoria de Infraestrutura e Operações é que ela busca ocupar um nicho nacional que até hoje não foi viabilizado. O primeiro deles trata de se implantar uma estrutura que permita realizar calibração de instrumentos oceanográficos no País. Até hoje, as instituições acadêmicas brasileiras, o setor público, bem como o setor empresarial que trabalha no espaço oceânico, enviam os seus sensores de CTD para serem calibrados no exterior, o que representa um enorme custo e, por vezes, até a impossibilidade de recebimento desses sensores de volta, porque se perdeu em algum lugar da cadeia logística de transporte. Essa adversidade será superada em 2027, quando nós inaugurarmos, em sólida parceria com a empresa OceanPact, o nosso Núcleo de Implantação para o Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica, localizado no Parque Tecnológico da UFRJ”, explica a diretora Janice Trotte-Duhá.
A proposta é implantar, no Brasil, uma estrutura capaz de realizar esse processo, seguindo padrões internacionais de qualidade. Além da calibração de equipamentos, o futuro centro deverá estimular pesquisas voltadas ao desenvolvimento de instrumentos oceanográficos de menor custo e alta eficiência, ampliando a capacidade nacional de amostragem de dados na zona costeira, em clara demonstração do empenho do INPO em democratizar a ciência, ademais de se debruçar sobre a inovação tecnológica, nessa área de atuação. A futura sede do Centro de Instrumentação e Calibração Oceanográfica, deverá ser instalada no Parque Tecnológico de Maricá.
A equipe é comandada pela diretora de Infraestrutura e Operações, Janice Trotte-Duhá. Com mais de 35 anos de atuação em atividades voltadas para a implantação de sistemas e programas em observação oceânica, ocupou diversos cargos na Marinha do Brasil, dentre eles, o de Coordenadora do Comitê Executivo para o GOOS-Brasil, cujo programa ela auxiliou a implantar no País, em 1995, sob a égide do PSRM, da CIRM. Também atuou como Chefe do Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO) e no período de 1997 a 2000, foi cedida pelo Governo do Brasil para a COI/UNESCO, com a missão de ajudar na implantação do Sistema GOOS em todo o Atlantico Sul e tropical. Quando cedida pela Marinha do Brasil ao MCTI, Janice ocupou a função de Coordenadora para Mar e Antártica, ocasião em que o INPO foi concebido, como uma demanda da comunidade cientifica atuante no país.
Por meio da colaboração permanente entre profissionais e diretorias, as equipes do INPO trabalham na construção das bases que sustentarão o futuro da pesquisa oceanográfica nacional. Todos esses projetos exigem uma combinação de conhecimento especializado, habilidades técnicas, articulação internacional e atuação estratégica em iniciativas em andamento ou emergentes.